Cientistas alertam: Vamos deixar de ter primavera em Portugal”

O país vai atravessar "cenários dramáticos de seca intensa" num futuro muito próximo.

Cientistas alertam: Vamos deixar de ter primavera em Portugal”
Imagem: Expresso

Depois de ter sido noticiado que a Terra vai atravessar uma “grande miséria humana”, devido à falta de preocupação com o ambiente, mais de 15 mil cientistas de 184 países – 200 dos quais de Portugal – voltam a dirigir-se ao mundo para dizer que “em breve será demasiado tarde”.

A Union of Concerned Scientists, uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo estudar, trabalhar e pensar sobre as alterações climáticas e o impacto das sociedades no mundo natural, não tem dúvidas: as alterações climáticas, a desflorestação, a perda de acesso a água doce, a extinção de espécies e o excessivo crescimento da população humana está a ameaçar a vida tal como a conhecemos.

A este propósito, o geofísico português, Pedro Matos Soares, refere, em declarações ao jornal Expresso que Portugal enfrenta um dos dois cenários “mais dramáticos” previstos pelos modelos físico-matemáticos. As estações vão diluir-se, as ondas de calor tendem a prolongar-se e as secas serão mais intensas.

“Secas idênticas ou piores do que a que se vive este ano estão projetadas para Portugal no futuro”, afirmou o investigador do projeto Cenários de Alterações Climáticas, desenvolvido na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. De acordo com as projeções, as ondas de calor podem multiplicar-se por dez ou até durar mais de um mês.

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“As alterações de precipitação em Portugal tendem a ser muito negativas até ao final do século XXI”, adiantando que prevê uma redução de precipitação anual entre 20% e 35% em Portugal, sendo que no sul, nomeadamente no Algarve, a redução de precipitação pode chegar a 70% no verão.

“Associado à quebra de precipitação, vamos ter um aumento de evaporação, o que faz diminuir a disponibilidade de água à superfície e torna a vegetação muito mais seca. Ou seja, vamos ter um aumento da frequência e intensidade das secas e índices de fogos muito mais alarmantes”, sublinhou.

O geofísico assegura que num futuro muito próximo regiões inteiras do país podem tornar-se num deserto, até porque haverá a tendência para haver apenas duas estações do ano – verão e outono. Apesar de considerar que o país tem tomado algumas medidas para reduzir as emissões, sobretudo no contexto da União Europeia, o problema tem obrigatoriamente de ser tratado em termos de políticas globais, as quais, na sua opinião, ainda não se adequam à severidade das consequências do que já se está a viver e se prevê viver no futuro.

 

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