Comissão culpa Proteção Civil pelas mortes de Pedrógão

Os especialistas apontam o dedo à Proteção Civil por falta de esclarecimento no comando das operações, concluindo que muitas dezenas de mortes podiam ter sido evitadas.

Comissão culpa Proteção Civil pelas mortes de Pedrógão
Imagem: CM

“As consequências catastróficas do incêndio não são alheias às opções táticas e estratégicas que foram tomadas”, denuncia o relatório de 296 páginas, elaborado por uma comissão técnica constituída por 12 especialistas, sobre a grande tragédia de Pedrógão Grande.

O documento assinala ainda que as mortes poderiam ter sido evitadas se o comando das operações, a cargo da Proteção Civil, tivesse tido outro nível de esclarecimento, pois, consideram os especialistas, tudo falhou.

Segundo os especialistas, os meios de combate em alerta na região não foram os adequados, apesar dos avisos meteorológicos. “Era possível que na região ocorressem fogos simultâneos, causados direta ou indiretamente por trovoada seca”, recorda o relatório. Mesmo assim, os postos de vigia da região não estavam ativos e “a vigilância móvel” limitava-se à presença de Sapadores Florestais.

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“O tempo de resposta e os meios disponíveis foram insuficientes, o que fez com que o controlo do fogo se tornasse progressivamente mais improvável”, refere a Comissão Técnica, reconhecendo, contudo, que o incêndio teve características “excecionais” devido à seca e à grande acumulação de combustíveis – uma vez que aquela zona não ardia há 20 anos.

Ainda assimm os especialistas não se ficaram por aqui e assinalaram ainda que o SIRESP também dificultou as operações. O sistema, avisam, assenta em “tecnologia completamente ultrapassada”.

“Se houvesse um sistema de sensibilização e informação, se o comando na altura, entre as 15 horas e as 16 horas, tivesse dado instruções à população [para ficar em casa], provavelmente muitas das mortes não teriam ocorrido”, afirmou o presidente da Comissão Técnica, João Guerreiro, aos jornalistas, após entregar o relatório na Assembleia da República.

João Guerreiro acrescentou que o atual sistema de escolha dos comandantes da Proteção Civil também não é o mais adequado, uma vez que as nomeações diretas são “recorrentes”. Por essa razão, o especialista defende a criação de uma carreira de Proteção Civil e que os responsáveis sejam escolhidos por concurso público.

 

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