Messalina: a mulher que tinha o reino entre as pernas

Mandava em tudo e em todos - bastava que abrisse as pernas. Esta é a história de uma das imperatrizes mais incomuns da História.

Messalina: a mulher que tinha o reino entre as pernas
Messalina ficou marcada na História

Desde o momento em que nasceu, Valéria Messalina trazia traçado um futuro muito pouco vulgar: viria ao mundo para mudar a História do Império Romano.

Jovem, bonita, inteligente e completamente depravada, Messalina, como ficou conhecida, teve uma vida curta mas muito preenchida, cheia de sucessos, trapaças e vítimas. O seu maior talento: governar com o meio das pernas. Sim, leu bem. Esta é a história da imperatriz romana que tinha o reino guardado entre as coxas.
 

Os pobres dos ricos

Valéria Messalina nasceu em Roma, 25 anos depois do nascimento de Cristo. Nascida no seio da família mais rica de Roma - os Julii -, a jovem teve, contudo, o azar de nascer do lado errado da árvore genealógica.

Depois de delapidar a parte da fortuna familiar que lhe cabia, Dominica Lépida, mãe de Messalina, pouco podia fazer para garantir um futuro decente à filha. Por outro lado, o pai, Marco Valério Messala, também não tinha tantas posses assim que pudessem comprar-lhe um futuro risonho. Além disso, cabia-lhe preocupar-se com os dois filhos mais velhos, também eles a precisar de orientação.

Desprovida de qualquer vocação para se tornar Vesta (guardiã de um templo), Messalina só tinha uma saída se quisesse dar-se bem na vida: casar com um homem rico.

 

A Deusa do Amor

Não seria difícil para Messalina arranjar um marido de valor. Jovem e bonita, a rapariga sabia bem como enfeitiçar os homens e fazê-los acreditar nas maiores tontices amorosas. Atenta, a mãe apontou-lhe uma vítima: o tio, Tibério Cláudio César Augusto Germânico, senador de Roma.

Quando casou, Cláudio tinha cerca de 48 anos e já desistira de acreditar no amor. Os dois casamentos anteriores tinham falhado e, naquela altura, um homem da sua idade era já um velho. No entanto, o que o cérebro gritava o coração silenciou. Como resistir a uma jovem tão bonita, tão inteligente e que, do esplendor dos seus 14 anos, lhe fazia juras de amor eterno?

Rezam os relatos que Cláudio, além de velho, era um homem pouco cobiçado: desgastado pela idade, sucumbia a variadas doenças, era coxo e corcunda. Além disso, e apesar de ser tio do imperador Calígula, era também famoso por não ficar a dever muito à inteligência. Ainda assim, o inocente homem acreditou que Messalina se apaixonara loucamente por si.

 

Fiéis até que…

Messalina e Cláudio casaram por volta do ano 39 d.C. e logo iniciaram uma pacata vida a dois. Algures nos dois primeiros anos de casamento tiveram a primeira filha, Cláudia Otávia, e um ano depois desta nasceu Tibério Cláudio Germânico (que viria posteriormente a ser conhecido pelo cognome “Britânico”).

A vida do casal haveria, contudo, de sofrer uma grande reviravolta: quando, no ano 41, o imperador Calígula foi assassinado, Cláudio foi nomeado seu sucessor e Messalina passava de esposa de um senador a… imperatriz do grandioso Império Romano.

Ainda demasiado jovem para saber lidar com o poder, Messalina deixou-se arrastar pela luxúria que o novo estatuto lhe permitia ter. Dando largas à sua já conhecida ninfomania, a imperatriz construiu uma verdadeira coleção de amantes, com quem se encontrava à noite, depois de o marido adormecer, ou mesmo durante o dia, quando ele estava fora.

O requisito para entrar no grupo de amantes da imperatriz romana era só um: ser homem. De resto, fossem eles nobres ricos ou pobres plebeus… todos tinham lugar entre as coxas de Messalina.

 

Imperatriz dos lençóis

Se Cláudio sabia de tudo e fingia não saber ou se era tão tonto que nem reparava nas traições constantes, nunca ninguém chegou a saber. O que se sabe - ou pelo menos é o que dizem os escritos da época romana - é que Messalina era tão completamente dependente do sexo que este virou o seu único objetivo na vida.

O vício da regente viria, mais tarde, a ser cantado por alguns poetas. Um deles, Décimo Junio Juvenal, conta até em alguns textos que a imperatriz saía sorrateira do quarto do marido, durante a noite, para ir trabalhar num bordel, onde disfarçava os longos cabelos negros com uma peruca ruiva e respondia pelo nome de “Loba”. Outro escritor, Suetônio, foi ainda mais detalhado nas descrições e revelou que Messalina era adepta da violência durante as relações, pedindo para ser açoitada e tratada com agressividade.

Com tanta fome para satisfazer, Messalina quase se podia proclamar a rainha das prostitutas. Quase… porque esse título já existia.

Decidida a ser a melhor das melhores, Valéria Messalina resolveu organizar um evento inédito na cidade de Escila: chamou a rainha das prostitutas (eleita pelas colegas) e desafiou-a a competir consigo. Quem satisfizesse mais homens em 24 horas ficaria com o mal-afamado título. Claro está que, com toda a sua energia, Messalina ganhou por muitos à concorrente, que não conseguiu passar dos 25 atos sexuais no mesmo dia.

 

Imperatriz do sangue

Louca por homens como por sexo, Messalina incluiu no currículo não só um vasto círculo de amantes como também um vergonhoso rasto de sangue. Instável emocionalmente e descontrolada no exercício do poder que o cargo de imperatriz lhe dava, Messalina conquistava os homens que quisesse sem olhar às esposas, que chegava a mandar matar se visse que não ia conseguir provocar o divórcio.

Uma das vítimas da jovem foi, contudo, um homem - que Messalina matou por amor.

Caio Ápio Silano era cônsul de Roma e conhecia Messalina desde muito pequena. Quando, durante a infância, a imperatriz alimentou por ele uma paixão platónica, o cônsul não lhe deu grande importância, mas, quando Cláudio o trouxe consigo para Roma para o ajudar a governar o império, os sentimentos renasceram.

Messalina perseguiu Caio e por ele fez tudo o que sabia, mas o homem não caiu na sua teia. Convencida de que era apenas uma questão de tempo até o fazer ceder e que, por isso, o ideal era arranjar forma de o manter muito perto durante uns tempos para poder ir insistindo, Messalina tentou casar o cônsul com a própria mãe, mas Caio percebeu o esquema e recusou.

Irritada, Messalina resolveu que, não podendo ser seu, então Caio não seria de ninguém: suportada por Narciso, amigo de Cláudio, a imperatriz acusou o homem de conspirar contra o império e ordenou que a guarda o matasse. Paralelamente, ia eliminando a concorrência - como foi o caso de Julia, sobrinha de Cláudio, condenada à morte por ter uns seios demasiado bonitos.

 

Até que a morte vos separe

Completamente louca e imparável, Messalina foi fazendo vítimas nos 7 anos que se seguiram à sua coroação. Até ao dia em que Cláudio, velho e senil, perdeu a paciência.

O imperador estava fora de casa e a mulher, deixada à vontade, reunia amores no quarto. Um deles, no entanto, tomou conta dela mais do que qualquer outro: o de Caio Sílio.

Caio Sílio era cônsul e considerado um dos homens mais poderosos do império romano. Perdida de amores por ele, Messalina armou um esquema que o fez separar-se da mulher e, para o agarrar, propôs-lhe o plano mais louco de sempre: casar com ela e ser, ele próprio, imperador.

O plano era simples: casariam os dois, ela trataria de arquitetar o assassinato de Cláudio e ele, por ser marido da imperatriz, ascenderia automaticamente ao posto máximo do império. Só não ocorreu a nenhum dos dois que tamanha loucura pudesse chamar demasiadas atenções.

Messalina agendou o casamento com Caio Sílio e, para se governarem, falsificou um documento no qual, supostamente, Cláudio lhe dava o divórcio (para poder casar de novo) e ainda lhe atribuía um muito generoso dote de pesadas moedas de ouro. Cheios de confiança, os “noivos” organizaram um gigante banquete e convidaram cônsules, senadores e nobres membros da sociedade romana para virem participar dos festejos que duraram um dia completo. Enquanto se divertiam, contudo, o seu mundo ruía.

Assustado com o que faziam ao amigo, Narciso enviou um bilhete a Cláudio a dar conta do que acontecia na capital do império. Percebendo que agora estava em risco o seu próprio trono, o imperador decidiu que desta vez não era sensato fechar os olhos: regressou a Roma com urgência, ordenou que Caio Sílio fosse executado e mandou prender Messalina, a quem deu a possibilidade de se suicidar.

Incapaz de se apunhalar, Messalina não conseguiu ter o que os romanos consideravam uma morte digna e acabou por ser esfaqueada pelo guarda que a prendeu. O imperador Cláudio, esse, teve um acesso de senilidade e esqueceu-se dos eventos traumáticos - só sabendo da morte da mulher quando estranhou a ausência dela ao jantar.

 

Imperatriz-piada

Messalina foi esquecida pela história como todos os romanos infames: após a sua morte, o senado ordenou que fosse executado um “damnatio memoriae”: todas as estátuas, escritos ou homenagens à imperatriz foram destruídos para sempre.

Os escritos que ficaram para contar a história da jovem foram produzidos cerca de 70 anos depois, por escritores que se baseavam em memórias “de outros mais velhos” e sob o jugo de uma nova linhagem de imperadores romanos, totalmente interessada em denegrir a imagem da linhagem antecessora. Não se sabe, por isso, que percentagem das aventuras de Messalina foi verídica ou inventada… só se sabe que esta foi, sim, a primeira regente ninfomaníaca a abalar o grandioso Império Romano.

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