Nesta cidade é proibido morrer em casa

"Para uma situação absurda, uma resposta absurda", diz o presidente da autarquia.

Nesta cidade é proibido morrer em casa
Imagem: TSF

O presidente da câmara da cidade de Laigneville, Christophe Dietrich, assinou e afixou esta quarta-feira um decreto no qual promulga que os habitantes da cidade estão proibidos de morrer em casa.

“Considerando a falta de médicos e o tempo necessário para declarar um óbito na autarquia, é proibido aos habitantes de Laigneville morrer em casa”, lê-se.

Na origem desta decisão insólita está a falta de médicos, situação que o autarca já considera uma “situação dramática”. Laigneville é uma cidade que fica a uma hora de Paris, tem cerca de cinco mil habitantes, mas apenas dois médicos – que chegam à reforma já em novembro. Apesar de já ter pedido respostas urgentes e concretas ao governo, Dietrich ainda não recebeu qualquer reação.

O autarca recorda que na última quarta-feira, para ser declarado o óbito de um idoso, foram necessárias cinco horas, já que os bombeiros que se dirigiram ao local para reclamar o corpo não têm competência para o fazer.

Perante este e outros casos, Dietrich reconhece que a proibição é difícil de aplicar, mas justifica: “para uma situação absurda, uma resposta absurda”.

O presidente considera que esta é uma questão de saúde pública, especialmente numa altura em que a região tem enfrentado temperaturas superiores a 30 graus e os cadáveres não podem ser retirados do local da morte até que seja emitida a certidão de óbito (que só pode ser assinada por um médico).

Christophe Dietrich não se limitou a proibir os munícipes de morrer em casa – apresenta soluções concretas, como obrigar os médicos formados na Picardia a fixarem-se na região durante 10 anos ou determinar quotas regionais, adequadas às necessidades.

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