Obrigada a dormir na estação de comboios para não perder emprego

Nos dias em que o comboio no qual trabalha se atrasa, a mulher, mãe de uma menina de 6 anos, fica na estação a dormir. Isto porque a empresa obriga trabalhadora do Porto a fazer escala a 55 quilómetros de casa.

Obrigada a dormir na estação de comboios para não perder emprego
Imagem: JN

Uma funcionária da Servirail, empresa que explora os bares da CP, está, desde o início de janeiro, a trabalhar 16 horas por dia, com regime de dois dias de serviço e dois de folga, para cumprir a escala que lhe foi atribuída entre Braga e Lisboa, quando a sua casa é no Porto.

Sabe-se que o horário lhe foi imposto e nada pôde fazer para o alterar, sob o risco de perder o emprego. Com a nova escala, a mulher sai do Porto às 8 horas da manhã, aguarda pelo comboio em Braga até às 10 e regressa a Braga às 23:25 horas, sendo que apanha comboio em Braga às 23:30 e chega ao Porto, às 00:30 horas. Ou seja, a trabalhadora trabalha 16 horas por dia consecutivamente.

Nos dias em que trabalha, a mulher não vê a filha de 6 anos e tem de a deixar com familiares. Além disso, ainda tem que lidar, por vezes, com a falta de transporte para casa ao fim do serviço – devido aos atrasos do comboio onde trabalha -, o que já a obrigou a pernoitar, dois dias seguidos, na estação de comboios de Braga.

Apesar de ter contactado a empresa, no sentido de perceber se pagavam táxi ou hotel nestes casos, a única resposta que obteve foi indiferença.

O Sindicato da Hotelaria do Norte já protestou junto da Servirail, mas, em vez de corrigir a situação, marcou faltas injustificadas e ameaçou disciplinarmente e de despedimento a trabalhadora.

 

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