Porto: greve dos médicos deixa utentes revoltados

Os utentes não foram avisados antecipadamente da ausência dos médicos e só quando chegaram ao local, depois de terem faltado ao trabalho e de terem metido baixa, é que foram informados de que não haveria consulta.

Porto: greve dos médicos deixa utentes revoltados
Imagem: UPF

A greve dos médicos que decorre na região Norte está a ter uma adesão entre “os 80 e os 90%”, segundo o primeiro balanço feito pelo secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM). A greve, convocada pelo SIM e pela Federação Nacional de Médicos, é o resultado de um ano em “reuniões infrutíferas” com o Governo.

Os médicos reclamam a redução de 18 para 12 horas semanais no serviço de urgência, bem como a diminuição dos utentes por médico de família de 1.900 para 1.500.

Em consequência da greve, todos os blocos operatórios dos três hospitais de Bragança estão fechados. No São João, no Porto, só dois estão a funcionar. No Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, apenas uma sala do bloco operatório está a funcionar, com um doente oncológico em cirurgia, e em Braga a paralisação pouco se fez sentir. Já são da ordem das dezenas as cirurgias que foram canceladas.

Os utentes que recorreram a alguns destes hospitais manifestaram-se surpreendidos e até revoltados pela forma como foi gerida esta greve, sobretudo por não terem sido informados com antecedência.

Branca Alves, de Gondomar, está “há dois meses sem fazer o controlo de sangue” a que está obrigada “há muitos anos” e diz ter sido surpreendida pela greve. “Não sabia que havia a greve, pois se assim fosse não teria vindo”, disse, explicando que, caso não tenha médico, “a recolha perde validade e terá de voltar, talvez na próxima segunda-feira”, para nova recolha.

Sem esconder a irritação pela “notícia inesperada”, José Sousa Marques, de Valongo, apresentou-se hoje para ter uma consulta de hipocoagulados e também não sabia da paralisação agendada para hoje. “Não sabia que havia greve, ninguém me avisou”, disse à Lusa, preferindo falar do seu problema do que das motivações dos médicos: “eu tomo um medicamento que pode ser perigoso se o controlo não for permanente e tenho que ser visto com regularidade”. “Mandaram-nos esperar até nova informação”, respondeu quando questionado se ainda esperava ser atendido hoje.

Armando Castro viajou desde Lousada até ao Porto para acompanhar a mãe na “consulta de ginecologia pós-operatória” e também ele foi surpreendido pelo calendário da greve. “A consulta estava marcada para as 8h20 e fomos apanhados de surpresa porque não só ainda não foi atendida, como não nos sabem dizer se o vai ser, tendo sido avisados que não podemos sair até haver confirmação da ausência de médico”, acrescentou.

A greve repercutiu-se também ao nível das unidades de saúde familiar. Na de Valbom, em Gondomar, faltaram os três médicos que deviam estar ao serviço de manhã.

 

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