Setúbal: homem acusado de degolar a mãe condenado a 20 anos

Foi condenado por esfaquear a mãe 22 vezes e como se não bastasse ainda a degolou. Arguido "não manifestou qualquer arrependimento pela sua conduta”, disse a presidente do coletivo de juízes na leitura do acórdão.

Setúbal: homem acusado de degolar a mãe condenado a 20 anos
Imagem: CM

O Tribunal de Almada condenou esta quarta-feira a 20 anos de prisão um homem acusado de desferir 22 facadas e de degolar a mãe, naquele concelho do distrito de Setúbal, após uma discussão.

Na leitura do acórdão, a presidente do colectivo de juízes deu como provados a maior parte dos factos que constam da acusação do Ministério Público.

O tribunal acrescentou que o arguido “não manifestou arrependimento pela sua conduta”, a qual é de “especial censurabilidade” e o “dolo é directo e intensíssimo”. O número de golpes e a violência utilizada são “claramente de enorme raiva e ressentimento”, na sequência de uma discussão.

O tribunal destacou a “forma fria e calculista como o arguido tentou limpar o cenário do crime, enquanto a sua mãe se esvaía em sangue”.

Em 31 de Junho de 2018, no decorrer do primeiro interrogatório judicial, o arguido assumiu ao juiz de instrução criminal que matou a mãe, após uma discussão, tendo dito que desferiu vários golpes no corpo da vítima.

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Nas declarações em fase de instrução, prestadas a 19 de Fevereiro deste ano, “sem emoção”, referiu que a acusação “não fazia qualquer sentido”, pois mantinha com a sua mãe uma relação “praticamente perfeita”, acrescentando que só confessou o crime no primeiro interrogatório judicial devido “à pressão que sofreu por parte dos agentes policiais” para que assumisse o crime.

O arguido explicou ainda na fase de instrução que a sua mãe foi morta por pessoas com quem teria uma alegada dívida relacionada com o transporte de droga e que o andavam a perseguir e a ameaçar matar a sua mãe.

Em julgamento, reiterou a versão apresentada na fase de instrução, mas, segundo a juíza presidente, já com “algumas discrepâncias”.

A presidente do colectivo de juízes sublinhou que “é avassalador o acervo probatório”, assim como é “claro e seguro que a primeira versão do arguido” é aquela que corresponde à realidade dos factos.

“A segunda versão apresentada pelo arguido não se mostra minimamente verosímil com as provas recolhidas. Bem mais coerente e consentânea com os elementos probatórios recolhidos está a primeira versão apresentada, incluindo prova pericial”, sustentou a presidente do colectivo de juízes.

Assim, o tribunal concluiu, “sem qualquer margem para dúvidas, que foi o arguido que matou a sua mãe”.

 

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