Ana Gomes diz que Vítor Constâncio "perdeu toda a credibilidade"

A eurodeputada socialista continua a dizer o que pensa sem medo. Desta vez, e sobre o ex-governador do Banco de Portugal, que está a ser acusado de ter mentido descaradamente no Parlamento, Ana Gomes disse que já não é um homem de confiança. Vários partidos admitem apresentar queixa contra Constâncio no Ministério Público por ter assaltado os portugueses.

Ana Gomes diz que Vítor Constâncio
Imagem: Euronews

Vítor Constâncio, ex-governador do Banco de Portugal, mentiu na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à gestão do banco, acusou o PSD. Por isso, garantiu o deputado Duarte Pacheco, vai ser entregue um pedido de nova audição do gestor.

“Queremos dar-lhe oportunidade para poder refrescar a memória e dizer a verdade ao Parlamento e ao país”, disse Duarte Pacheco, à TSF.

Já Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, considerou que o comportamento de Constâncio “coloca em causa a credibilidade do sistema”, por isso também contam convocá-lo novamente ao Parlamento.

Para Cecília Meireles, do CDS-PP, a confirmar-se que Constâncio mentiu, a comissão parlamentar deve analisar a possibilidade de enviar as declarações do ex-governador do Banco de Portugal para o Ministério Público. “Caso se comprove que mentiu, deve enviar-se imediatamente para o Ministério Público, porque o caso tem contornos criminais”, considerou a deputada.

ana gomes diz que vitor constancio perdeu toda a credibilidade

Ouvido pelos deputados do Parlamento a 28 de março, Vítor Constâncio disse claramente desconhecer a fonte de financiamento de Joe Berardo quando adquiriu ações do BCP.

Mas, entretanto, o jornal “Público” revelou ter tido acesso a documentos que provam que o crédito de 350 milhões de euros dado em 2007 pelo Banco de Portugal a Joe Berardo tinha como garantias apenas a penhora das ações que iria adquirir e foi aprovada em Conselho de Administração do Banco de Portugal. Vítor Constâncio teria, portanto, não só conhecimento da operação, como terá autorizado a mesma.

“Este assalto teve o ‘ok’ do Banco Central Português e do dr. Vítor Constâncio – não só pela concessão deste empréstimo a Joe Berardo, como também pelas reuniões que foram promovidas pelo próprio governador do Banco de Portugal com potenciais acionistas”, concluiu Duarte Pacheco.

Também o líder parlamentar do PS considerou “indispensável que a comissão volte a questionar Vítor Constâncio, mas também o então vice-governador do Banco de Portugal Pedro Duarte Neves, face à “omissão inexplicável dos seus depoimentos”.

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Sobre este assunto, Ana Gomes lamentou a atuação de Vítor Constâncio na comissão parlamentar. Para a antiga eurodeputada socialista, o ex-governante do Banco de Portugal e atual vice-presidente do Banco Central Europeu “perdeu toda a credibilidade”, disse no decorrer do seu espaço de comentário na SIC.

“[Vítor Constâncio] veio dizer que a idoneidade de Berardo não se discutia. Não se discutia? Mas não é essa uma das funções do supervisor do Banco de Portugal? Avaliar a idoneidade das pessoas?”, questionou.

A comentadora da SIC insurgiu-se contra o facto de Francisco Assis ter tomado uma posição pública em defesa do antigo responsável do Banco de Portugal. Numa nota enviada às redações o militante socialista apontou que Vítor Constâncio “é um homem sério” e que está a ser alvo de um “linchamento moral”. Ana Gomes considera “que não há nada de moral”, mas sim uma necessidade de compreender o papel do responsável em todo o caso.

Vítor Constâncio tem sido alvo de várias críticas devido às declarações que prestou na comissão parlamentar, após ter afirmado que não se recordava do acordo realizado entre o Banco de Portugal e a Fundação Berardo, em 2007, sobre a compra de ações do BCP com 350 milhões de euros emprestados pela Caixa Geral de Depósitos.

 

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