"As pessoas não estão disponíveis para conviver com a tristeza"

Judite confessa que foi excluída por amigos depois da morte do filho.

Imagem: PTJornal

Judite Sousa recorreu ao blogue que criou em homenagem ao filho para responder a uma pergunta que lhe fazem frequentemente. “Perdi ou ganhei amigos desde que o André partiu? E a resposta é só uma: ganhei novos amigos mas perdi mais”.

A jornalista não esquece quem lhe virou as costas numa altura em que mais precisava de apoio. “Julgo que existem várias explicações: a que me parece mais óbvia é que as pessoas não estão disponíveis para conviver com a tristeza. Aparecem para a fotografia nos momentos difíceis e depois desaparecem das nossas vidas. Como imaginam, sei bem do que falo”, desabafou.

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“Depois, há outras pessoas que nos excluem porque somos concorrentes. Esta dimensão é muito comum nas mulheres. E quase sempre há um elemento masculino à mistura. E depois há ainda aquelas pessoas de quem gostamos, que nos vêem, que já estiveram na nossa casa, mas que são incapazes de retribuir o gesto”, prosseguiu.

“Como diz a escritora espanhola Rosa Montero, ‘o ser humano tem muitas arestas’”, escreveu Judite.

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Noutro texto que publicou esta quinta-feira a diretora-adjunta de Informação da TVI, falou também sobre o preconceito de que é muitas vezes alvo. “As pessoas fazem de mim a imagem que veem na televisão quando na realidade sou bem diferente: divertida, um pouquinho de ingenuidade à mistura, impulsiva, cem por cento razão em termos profissionais, cem por cento emoção em termos pessoais”, rematou.

 

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