A realizadora alemã Maria Schrader mostrou-se surpreendida com a qualidade dos atores portugueses que dirigiu no filme sobre o exílio do escritor Stefan Zweig no Brasil, país onde se passa a história – mas onde a equipa nunca filmou.
Nenhuma das cenas de “Stefan Zweig – Adeus, Europa”, sobre o exílio do escritor judeu austríaco durante o nazismo, foi filmada no Brasil. Na verdade, as cenas foram rodadas em Portugal e em África, com recurso a “excelentes” atores portugueses que fizeram de brasileiros, contou Maria Schrader, em entrevista à agência Lusa.
O filme, interpretado por Josef Hader (no papel de Stefan Zweig), Aenne Schwarz (Lotte, mulher do escritor) e Barbara Sukowa (a sua primeira mulher), conta com uma série de atores portugueses no elenco, entre os quais João Lagarto, Virgílio Castelo, Carla Vasconcelos, Maria Vieira e Nicolau Breyner, que morreu no ano passado.
Questionada sobre a razão da escolha de atores portugueses para o filme, Maria Schrader foi perentória: “Porque o fazem tão bem, os atores portugueses são tão bons”.
Curioso é que, apesar de nada do filme dizer respeito a Portugal e o enredo se passar no Brasil, a realizadora confessa que nunca esteve do outro lado do mar: “Não poderia ser possível gravar lá, por várias razões. É um país muito próspero e não poderíamos filmar lá como filmámos em África. A casa histórica de Stefan Zweig está rodeada de edifícios modernos, teria custado muito mais dinheiro e este não é um filme rico, seria impossível atravessar o Atlântico para este filme”, explicou.
O filme “Stefan Zweig – Adeus, Europa” tem antestreia hoje, no encerramento da KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã, e estreia nacional a 23 de fevereiro, quando passam 75 anos sobre a morte do escritor.