Carta de uma mãe torna-se viral

Uma mulher, que não quis revelar a sua identidade, publicou uma carta nas redes sociais na qual aborda o outro lado de ser mãe...aquilo que é "proibido" uma mãe dizer publicamente.

Carta de uma mãe torna-se viral
Imagem: Independente

A carta é um testemunho de uma mulher cansada, apesar de se sentir abençoada por poder ser mãe. Retrata a vida de uma mulher que é mãe a tempo inteiro, sendo que toca em pontos sensíveis…aqueles sobre os quais é “proibido” falar publicamente.

Esta mulher, que preferiu manter-se no anonimato – uma forma simbólica de falar em nome de todas as mulheres que vivem a mesma situação e têm receio de abordar o assunto – partilhou o documento na internet e rapidamente foi partilhado milhares de vezes.

Leia, então, a versão integral da carta que se tornou viral:

“Depressão da mãe que fica em casa…

O elefante no recinto que ninguém fala sobre.

Quero dizer, como é que tu OUSAS reclamar depois de seres presenteada com essa oportunidade de ficar em casa e criar as SUAS crianças, mas não é tão simples assim. Claro que nós, mães a tempo inteiro, somos gratas por ficar em casa e criar os nossos pequenos, MAS isso é literalmente tudo o que nós nos tornamos.

Ninguém fala sobre o isolamento.

Ninguém fala sobre a perda de identidade.

Ninguém fala sobre a solidão.

Ninguém fala sobre a perda da autonomia.

Ninguém fala sobre como tiveste de desistir da tua carreira, porque é mais barato ficar em casa.

Ninguém fala sobre como tu choras no chuveiro, porque o teu dia foi sufocante.

Ninguém entende por que estás cansada.

Ninguém entende por que estás irritada.

Ninguém entende por que precisas de uma pausa mental.

Ninguém entende por que estás tão irritada com as tuas crianças.

Ninguém entende por que após ficar em casa o dia todo, ela ainda está o caos.

Ninguém entende por que precisas apenas de cinco minutos sem ninguém falar contigo ou te tocar.

Ninguém entende por que perdeste o teu desejo sexual.

Ninguém entende por que estás completamente e totalmente exausta, afinal, só ficas em casa sentada o dia todo.

Ninguém entende o sentimento de quando ouves que não temos um “trabalho normal”.

A maioria de nós trabalhou em algum período da vida. Nós podíamos ir a um trabalho e interagir com outros adultos fora de casa. Nós contribuíamos financeiramente para a nossa casa.

Nós não nos sentíamos como uma eterna empregada. Nós tínhamos tempo para dar espaço às outras pessoas que vivem connosco, porque, sim, TODAS as relações precisam de espaço para não ficarem loucos por estarem juntos 24 horas por dia. Isso não é saudável. Ao contrário do que diz o senso comum…”

 

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