Casal vive há meses num carro junto ao Mar Shopping

"Dia 8, faz 10 meses que vivemos num carro". Rosária e José Luís comem, dormem e sobrevivem num pequeno carro. Lojistas do shopping ajudam quando podem, mas não conseguem esconder a indignação para com a Segurança Social.

Casal vive há meses num carro junto ao Mar Shopping
Imagem: JN

A história foi divulgada pelo JN. Rosária e José Luís sobrevivem dentro de um carro – um pequeno Citroën Saxo do final dos anos 90 -, onde comem, dormem e vão contando os dias que se arrastam na miséria. “Dia 8, faz 10 meses que vivemos num carro”, disse, com tristeza, José Luís.

Há 3 meses que estão nas imediações do Mar Shopping, em Leça da Palmeira, mas já estiveram noutros pontos do país. O centro comercial serve-lhes de ponto de apoio a nível de higiene e de alimentação. É também de lá que lhes chega a solidariedade, pelas mãos de alguns lojistas que os acompanham e ajudam desde que tomaram conhecimento da situação, que pelo menos há cerca de dois meses terá sido reportada à Segurança Social.

Em declarações ao mesmo jornal, José Luís contou que também já lhes ofereceram cobertores: “o pior é a humidade, porque dentro do carro é como se chovesse”.

“É desumano ver os dois ali a dormir”, lamentou uma das funcionárias do centro comercial que há cerca de dois meses ajuda o casal. “Venho aqui todos os dias, mais do que uma vez por dia. E já vim várias vezes nas minhas folgas. O que a gente puder, faz”, garantiu.

O gesto é muito apreciado pelo casal: “Há aqui muita gente que nos ajuda e não nos deixa faltar nada. A gente não tem casa, mas pelo menos de fome não morre”, disse José Luís à mesma fonte.

Casal vive há meses num carro junto ao Mar Shopping

Oriundos da zona de Cascais e ambos com filhos de relacionamentos anteriores, casaram-se há 10 anos, mas a união não foi bem vista pelas respetivas famílias, das quais estão afastados.

Nos últimos cinco anos estiveram emigrados em Itália, onde a vida também não correu bem, e, “sem nada”, regressaram a Portugal para voltarem a tentar a sorte. Mas sem residência, com a depressão crónica de Rosária, de 47 anos, e apenas com cerca de 250 euros da pensão por invalidez de José Luís, tudo se foi complicando.

“Por um quarto pedem, em média, 300, 400 euros. Como posso pagar? Não posso. Quando recebo [a reforma], vamos para uma pensão. Mas é só uma noite; não tenho dinheiro para mais. Só tomamos banho nesse dia, uma vez por mês. Nos outros dias, é no centro comercial, mas não é tomar banho”, contou José Luís.

Rosária tapava a cara com as mãos, enquanto o marido descrevia a vida dos dois, que em tempos viveram com a dignidade que os respetivos empregos lhes proporcionavam: auxiliar em hospitais e segurança privado.

Um outro funcionário do Mar Shopping revelou: “Já aqui vieram três assistentes sociais. Como vêm ao local, veem estas condições e não fazem nada?”, questionou. “Isto choca-me. É tão triste. E não faz sentido, porque existem pensões, e a Segurança Social não faz nada”, acrescentou.

 

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