Castelo Branco confessa que foi violado quando tinha 9 anos

José Castelo Branco abriu o seu coração e falou sobre a sua vida íntima. Do passado traumático à relação com Betty, a mulher que o ajudou a redescobrir o alter-ego que em tempos encarnou na noite lisboeta: Tatiana Romanova.

Castelo Branco confessa que foi violado quando tinha 9 anos
Imagem: VIP

Numa entrevista ao jornal Sol, José Castelo Branco referiu que a sua vida é “de altos e baixos” e que se sente “um iôiô nas mãos de Deus”.

Começou a sofrer bullying na infância, em Moçambique, onde nasceu. A família ostracizou-o, o pai achava-o um “cobarde” e o namorado de uma prima violou-o quando ele tinha 9 anos. Os colegas de escola maltrataram-no. Era chamado de “Beto Maria Menina”, de “Lulu”, levou “pontapés e carolos” e levou “pedradas”.

O marchant não escondeu o passado que, apesar de traumático, o moldou e fez dele o que é hoje: uma figura que nunca se conseguiu ver “a envelhecer como homem”, que vestiu roupa masculina, pela primeira vez, no dia do casamento com Maria Arlene  (mãe do filho Guilherme) e que encontrou em Betty Grafstein, a atual mulher, “a Tatiana Romanova [alter-ego que encarnava na noite lisboeta] que era”.

castelo branco confessa violado 9 anos

José Castelo Branco contou que “tinha acabado de fazer 9 anos” quando foi sexualmente abusado na própria casa. “Às vezes, pergunto-me: ‘Será que fui eu que tive a culpa e que provoquei?’ Sei que estava no quarto dele, do José Manuel Peixoto Monteiro, que era namorado de uma prima, agarrado a uma rede, porque todas as portas tinham redes por causa dos mosquitos, e estava a ver o rio Zambeze e o batelão a passar. Ele põe-se atrás de mim e, falando em vernáculo, começa a roçar-se e de repente leva-me para a cama. Fiquei sem reação. E houve uma penetração”, disse.

Este episódio fez com que não seja um “gay comum, igual a todos os outros”, mas tenha seguido “um caminho diferente” que o levou a casar-se e a ser pai de Guilherme.

Em casa e na escola, o socialite era posto de parte. A irmã gastou “uma fortuna” em psicólogos. O pai dizia-lhe: “Você é um cobarde, meu filho”. O irmão nunca o aceitou. O tio, internado com problemas oncológicos, pedia-lhe para se vestir de homem: “Não quero que me venha visitar vestido de mulher”, dizia-lhe.

“Eu sabia que era diferente, mas não era diferente. Era igual aos outros, nem mais nem menos. Porquê sofrer esse bullying?”, questionou.

Quando se mudou para Lisboa, Castelo Branco fez limpeza de roupas em pele e acabou por estudar tapeçaria. Fez tapetes de Arraiolos e apaixonou-se por Maria Arlene. Casaram-se a 19 de março de 1986. “Toda a gente estava à espera que eu aparecesse vestido de noiva, e é a primeira vez que me visto de homem. Tinha 20 anos”. Usou um “fato de criança” cinzento-escuro que a mãe lhe comprara na Maconde. “Pus collants porque não tinha meias de homem”, recordou.

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A então mulher compreendia o marido. “Na altura, eu tinha um bocadinho de maminhas porque tomava hormonas (…). Era ela que me dava as injeções. Eu tinha o rabo em pedra”, confessou.

Separou-se quando o filho tinha “um ano e pouco”. Acabaria por conhecer a antiga joalheira Betty Grafstein em 1992 e encontrou nela “a Tatiana” que tinha ficado no passado.

Aos 56 anos, não se arrepende de quase nada. O mandado de detenção, os processos em tribunal por assédio moral, os escândalos sexuais são passado. O único arrependimento é “não ter sabido amar” o pai. “E só termos feito as pazes numa quinta-feira e ele ter morrido a um domingo”, admitiu.

 

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