Centeno confirma má gestão na CGD e quer apurar responsabilidades

Ministro das Finanças afirmou com todas as letras no Parlamento que houve má gestão no banco público e que isso teve custos elevados para o Estado. Quer ver apuradas responsabilidades civis, criminais e políticas.

Centeno confirma má gestão na CGD e quer apurar responsabilidades
Imagem: The World News

“Essa má gestão existiu e teve custos”, declarou Mário Centeno na comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa que decorreu esta quarta-feira, 30 de janeiro, no Parlamento. Contudo, o ministro não quantificou que custos é que acredita que foram decorrentes da má gestão.

Para Centeno, “é importante que esses custos, se derem lugar a responsabilidade civil, sejam apurados pelas autoridades competentes”. Essa foi a instrução dada pelo Ministério das Finanças à administração da Caixa Geral de Depósitos, para que haja apuramento civil dos gestores da Caixa.

Numa sessão requerida pelo PCP para debater a a denúncia do acordo de empresa dos trabalhadores, mas cujo tema acabou por resvalar para a auditoria à Caixa, o ministro das Finanças considerou que, até à entrada em funções do novo Governo, houve um “problema generalizado de gestão de risco no sistema bancário”.

Em relação à CGD, as considerações de Centeno prendem-se com o período entre 2000 e 2015, período que foi alvo da auditoria a cargo da EY, que analisou os grandes créditos concedidos, as grandes compras e vendas de participações financeiras e ainda as decisões estratégicas. Este documento foi finalizado, mas nunca chegou ao conhecimento público nem mesmo ao Parlamento, já que a CGD recusou a sua entrega.

Centeno confirma má gestão na CGD e quer apurar responsabilidades

Essa auditoria vai agora ser entregue aos deputados, depois de a Procuradoria-Geral da República ter autorizado o levantamento do segredo judicial sobre o documento.

Mário Centeno disse ainda aos deputados que não teme os efeitos da auditoria e pediu mesmo à gestão do banco público, liderada por Paulo Macedo, para apurar as responsabilidades “até às últimas consequências”. Ao Banco de Portugal, o ministro diz caber apurar as responsabilidades contraordenacionais e ao Ministério Público as criminais.

O banco público foi já alvo de duas comissões de inquérito (uma às causas da capitalização estatal de 3,9 mil milhões de euros e outra à nomeação e substituição de António Domingues da presidência da CGD), e há já hipótese de uma nova iniciativa vir a correr – o CDS já admitiu que vai propor a sua constituição.

 

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