Costa prefere contratar funcionários públicos a aumentar salários

O primeiro-ministro admite discutir "no momento próprio" propostas de aumentos salariais na função pública, mas avisa que prefere usar eventuais folgas orçamentais a contratar funcionários públicos.

Costa prefere contratar funcionários públicos a aumentar salários
Imagem: Expresso

Numa entrevista ao DN, António Costa admitiu que prefere contratar funcionários públicos a aumentar salários. Esta posição vem contrariar as pretensões dos parceiros do PS no apoio parlamentar ao Governo minoritário (PCP, BE e PEV), mas, ainda assim, o primeiro-ministro parece irredutível.

“Vamos ter de conseguir um equilíbrio entre aquilo que é a recuperação de rendimentos, que vai ter de prosseguir para os funcionários como para todos os portugueses, e preencher muitas carências que há na administração”, afirmou.

O chefe do executivo recordou que, nos últimos anos, quem ganha o salário mínimo teve ganhos de 15%, assim como houve “uma redução muito significativa da carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho”, um “aumento das prestações sociais complementares e dos abonos de família”.

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Ainda sobre os aumentos na função pública, acrescentou, “é um tema que será discutido seguramente na negociação no momento próprio” – uma evolução relativamente ao ministro das Finanças que, numa reunião da concertação social, afastou esse cenário, na versão apresentada pelos sindicatos.

Numa resposta às reivindicações de comunistas e bloquistas, de maior investimento nos serviços de saúde, educação ou transportes, Costa diz que, para PCP e BE, a redução da dívida era também uma prioridade e fez uma advertência: “Se voltássemos a aumentar o défice aumentávamos a dívida e voltávamos a pagar mais juros e em vez de termos mais dinheiro para investir nos serviços públicos estávamos a dar mais dinheiro à banca para pagar os juros da dívida”, prosseguiu.

Neste capítulo de investimento, recorda as contas dos últimos três anos com o Governo minoritário do PS, com o apoio da esquerda que resultou num aumento da despesa em 700 milhões de euros por ano no Serviço Nacional de Saúde, com mais 800 pessoas a trabalhar nesta área, ou ainda com “mais quatro mil professores no sistema educativo”.

 

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