Costa rejeita futura coligação com Bloco e PCP: "é absolutamente impossível"

Numa entrevista à TVI24, António Costa fez um balanço positivo da última legislatura, mas diz que PS, PCP e BE não têm um grau de convergência suficiente para se coligarem formalmente.

Costa rejeita futura coligação com Bloco e PCP:
Imagem: Repórter Sombra

O primeiro-ministro, António Costa, disse esta quarta-feira que uma coligação formal do PS com o PCP, o Bloco de Esquerda e Os Verdes seria “absolutamente impossível”.

Em entrevista à TVI24, Costa usou o exemplo da legislatura que agora termina para assegurar que “se o Governo fosse de coligação havia muitas decisões que obviamente o PCP e o Bloco de Esquerda não podiam ter aceite”, dando como exemplos a gestão da dívida pública ou a relação com a União Europeia.

“O nível de compromisso depende do grau de convergência. O grau de convergência entre nós não permite um nível de compromisso maior. É melhor não estragar uma boa amizade com um bom casamento. Acho que não. Isso implicaria uma tal violentação de linhas identitárias dos Verdes, do PCP e do Bloco de Esquerda que seria absolutamente impossível”, disse Costa, quando questionado sobre se uma coligação formal com os partidos à esquerda seria uma hipótese a considerar caso o PS não obtivesse uma maioria absoluta.

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Uma solução governativa que passasse por uma coligação formal, garante Costa, seria “menos estável”, porque é preciso que o Governo seja “coeso” — e não o seria se convivessem socialistas, comunistas e bloquistas no Conselho de Ministros.

Numa entrevista que se estendeu por quase 110 minutos, e incluiu perguntas de representantes selecionados da sociedade civil e também de quatro jornalistas da estação, Costa disse não ter dúvidas de que os portugueses “não gostam de maiorias absolutas” e, sem nunca a pedir, procurou desmontar os receios desse cenário governativo, invocando a sua experiência na Câmara Municipal de Lisboa e os “crescentes mecanismos de controlo” da democracia portuguesa.

“Nunca colocarei aos portugueses a chantagem de dizer “ou me dão maioria ou não governo””, assegurou.

 

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