"É essencial que quem exerce cargos públicos não saia mais rico do que entrou"

O Presidente da República apelou para que o combate à corrupção seja feito por todos e que haja prevenção e punição, quando necessária.

Imagem: TSF

No encerramento da conferência “Integridade na Gestão Pública”, que teve lugar esta quarta-feira, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que há “um longo caminho a percorrer no combate à corrupção” e salientou que “haver melhores leis e códigos de conduta ajuda muito, mas é ainda mais importante que não se espere por acordos de regime que podem durar uma eternidade”.

O chefe de Estado sublinhou, a este propósito, que quem tem poder não deve aproveitar-se disso e enalteceu a necessidade de se prevenir a corrupção, mas também de puni-la em tempo útil.

Marcelo Rebelo de Sousa acredita que é preciso agir nos “pequenos e nos grandes casos” para que haja “um exemplo para todos os portugueses”, até porque, muitas vezes os portugueses assistem ao “arranque de investigações e depois passa-se um ano, passam-se três, cinco, dez anos e não há uma decisão final sobre o processo e têm dificuldade em perceber porque é que isso acontece”.

Tendo em conta que a punição é um “forma de prevenção”, os portugueses acreditam que “se nunca mais ninguém é punido quer dizer que nem sequer vale a pena prevenir”. “E é isso que não é bom que fique na cabeça dos portugueses”, acrescentou em jeito de alerta.

Como tal, o presidente revelou que é necessário que a “prevenção comece nos mais jovens dos jovens e envolva todos os protagonistas escolares, profissionais e sociais, de tal modo que os valores éticos que podem evitar a corrupção sejam assumidos como naturais na sociedade portuguesa”.

Marcelo reforçou ainda que nesta sociedade quem mais pode mais deve ser cumpridor. “É essencial que seja normal que quem exerça cargos públicos não saia deles mais rico do que entrou, nem saia para lugares que se prestem a ser pagamento de favores anteriores nem se rodeie de parentes e próximos, não olhando aos méritos profissionais ou comunitários que possuam, nem permitam a correligionários ou amigos condutas em funções que deveriam ser inspiradores e que são intoleráveis para o comum dos mortais”, justificou.

Melhores leis e códigos podem ajudar, mas o Presidente conclui que não se deve esperar por reformas que podem durar uma eternidade, até porque “combater a corrupção cabe a todos porque só assim Portugal terá o futuro que merece”.

 

 

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