"É preciso um salário digno em vez de salário mínimo"

É o que defende o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa. "Era esse o trabalho que os sindicatos deviam estar a fazer e que não fazem...porque têm medo que a mudança lhes tire o lugar".

Imagem: Jornal Económico

Numa entrevista ao Jornal Económico, Bruno Bobone, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, disse que a discussão em torno do salário mínimo deixou de fazer sentido, pois considera que Portugal deve debater é o valor correspondente ao “salário digno”.

“O problema do salário mínimo que se discute no nosso país torna vergonhoso que se continue a ter esta discussão. Devíamos estar a discutir um salário digno que é o salário que permite a uma pessoa ter uma vida como deve ser, em que pode alimentar os seus filhos e preocupar-se em ter algum crescimento humano na sua vida”, começou por referir.

“E isso só pode ser obtido através do aumento da produtividade. Mas se nós criarmos um sistema para o aumento da produtividade que pudesse garantir que parte dessa riqueza criada pudesse ser atribuída a quem participou no aumento de produtividade, que é o trabalhador, nós íamos aumentar a riqueza da empresa e a riqueza do trabalhador”, acrescentou.

“Era esse o trabalho que os sindicatos deviam estar a fazer e que não fazem. Os sindicatos continuam a tentar manter uma luta social dentro das empresas que é uma coisa do século XIX”, frisou.

“Não fazem o seu trabalho, porque têm medo que a mudança lhes tire o lugar, e eu acho que a mudança lhes ia dar uma importância completamente diferente e seriam fundamentais ao desenvolvimento da economia portuguesa”.

Questionado sobre se deveríamos, então, estar a debater o salário digno, respondeu que “já demos um pequeno passo quando as organizações patronais começaram a falar no aumento salarial e a reconhecer que o salário mínimo não é um salário digno. Isso é o primeiro passo para se falar no salário digno”.

“Os sindicatos evitam o debate do aumento da produtividade como solução do aumento salarial, preferindo a convocação de greves. O sindicato só faz isso para garantir o seu lugar, e é em benefício próprio e não em benefício dos seus representados”, rematou.

 

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