Enfermeiros protestam...e doentes com cancro ficam sem tratamentos e sem cirurgias

Imagens das manifestações dos enfermeiros estão a deixar muitos portugueses revoltados. Há cartazes, sorrisos, selfies e mensagens sarcásticas dirigidas ao Governo.

Enfermeiros protestam...e doentes com cancro ficam sem tratamentos e sem cirurgias
Imagem: JN

Os enfermeiros estão novamente em protesto contra a requisição civil decretada pelo Governo face à greve cirúrgica nos blocos operatórios.

Tal como avança o JN, os enfermeiros já preparam novas formas de luta que podem passar por faltar ao trabalho, deixar de fazer horas extra ou não realizar cirurgias de recuperação de listas de espera.

Em Lisboa, concentraram-se junto ao Hospital de Santa Maria, em protesto pela decisão do Governo em decretar a requisição civil devido à greve cirúrgica que decorre até ao fim do mês, acusando a tutela de uma atitude persecutória para com a classe.

A eles juntou-se a bastonária dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, e, entre sorrisos, não faltaram as “selfies”.

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“Basta! Eu não me resigno”, “Não temos medo”, “Je suis selvagem” e “Chantagem. Coação. Dá-nos força e união” são algumas das mensagens dos cartazes que os enfermeiros exibem.

O mesmo cenário repete-se no Porto, em frente ao Hospital de São João, e em Coimbra, com dezenas de enfermeiros que consideram a decisão do governo um “ato de má-fé” e “uma medida despropositada”.

A greve está a provocar a suspensão de tratamentos para doentes com cancro e o cancelamento de cirurgias em todo o país. No Centro Hospitalar Universitário do Porto, o diretor clínIco José Barros denunciou este semana que apenas cinco dos 26 doentes “prioritários” foram operados. Destes 26, quatro eram doentes oncológicos.

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Já no Centro Hospitalar Tondela Viseu, na terça e quarta-feira não foram operados vários doentes, apesar de estarem abrangidos pelo regime de serviços mínimos.

No Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, ficaram 38 cirurgias por fazer esta semana, que cumpriam os critérios para “serviços mínimos”.

O presidente da Secção Regional Norte da Ordem dos Médicos, António Araújo, denunciou também que doentes oncológicos nos hospitais do São João, Santo António e Gaia não estavam a ser operados.

A segunda greve dos enfermeiros às cirurgias hospitalares deverá prolongar-se até 28 de fevereiro.

 

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