"Engravidei três vezes e o padre obrigou-me a abortar três vezes"

“De cada vez que recusava ter sexo com o padre, ele batia-me. Não queria usar preservativos ou contracetivos”, acrescentou a jovem que foi abusada a partir dos 15 anos. Papa Francisco e os líderes católicos ouviram os testemunhos de cinco vítimas.

Imagem: Observador

A reunião de líderes católicos que decorre esta semana no Vaticano para debater a responsabilidade da Igreja nos abusos sexuais de menores arrancou esta quinta-feira com os 190 bispos e superiores religiosos a ouvirem cinco testemunhos de vítimas.

As vítimas, oriundas de vários pontos do mundo, gravaram os testemunhos com antecedência e as suas identidades foram mantidas em segredo pelo Vaticano, que, ainda assim, divulgou o conteúdo.

Uma dessas vítimas contou ao Papa e aos bispos como tinha 15 anos quando teve sexo pela primeira vez com um padre, numa relação que viria a durar 13 anos.

“Engravidei três vezes e ele obrigou-me a abortar três vezes, simplesmente porque ele não queria usar preservativos ou contracetivos”, recordou a mulher.

“De início, confiei tanto nele que não sabia que ele podia abusar de mim. Tinha medo dele, e de cada vez que recusava ter sexo com ele, ele batia-me”, prosseguiu.

“Como eu dependia completamente dele em termos económicos, sofria as humilhações que ele me fazia passar. Tínhamos relações tanto na casa dele, na aldeia, como no centro diocesano. Eu não tinha direito a ter namorados. Sempre que tinha um namorado e ele descobria, batia-me”, continuou.

“Era a condição para me ajudar economicamente. Dava-me tudo o que eu queria quando eu aceitava ter sexo”, testemunhou. Hoje, continuou, tem a “vida destruída”. “Sofri tantas humilhações nesta relação que não sei o que é que o futuro me reserva.”

Outra das vítimas, um homem,recordou a reação da estrutura da Igreja Católica quando falou pela primeira vez dos abusos que tinha sofrido. “A primeira coisa que pensei foi: vou contar tudo à Santa Mãe Igreja, onde eles me vão ouvir e respeitar. Mas a primeira coisa que eles fizeram foi tratar-me como um mentiroso, viraram-me as costas e disseram-me que eu e outros éramos inimigos da Igreja”, afirmou.

Os participantes da reunião ouviram ainda o testemunho de um padre, que celebrou este ano o 25.º ano da sua ordenação sacerdotal.

“Estou grato a Deus. O que me magoou? Um encontro com um padre magoou-me. Quando era adolescente, depois da minha conversão, foi ter com o padre para ele me ajudar a ler as escrituras, e ele tocou-me nas partes privadas. Passei uma noite na cama dele. Isto magoou-me profundamente”, disse.

 

Comente esta notícia