Ex-mulher de Sócrates: "ele dava-me muito mais dinheiro do que eu precisava"

Sofia Fava terá recebido 600 mil euros de Sócrates e de Santos Silva entre 2007 e 2015, além da quantia de 5 mil euros mensais que uma empresa de Santos Silva, a XLM, lhe pagou por conta de um contrato de trabalho que o MP diz ser falso.

Ex-mulher de Sócrates:
Imagem: Euronews

O interrogatório de Sofia Fava, ex-mulher de José Sócrates, decorreu esta segunda-feira. Foi questionada sobre alegados ilícitos de branqueamento de capitais e falsificação de documento que o Ministério Público (MP) lhe imputa em regime de co-autoria com Carlos Santos Silva e José Sócrates.

Sofia Fava recusou, contudo, responder às perguntas que tinham só a ver com o seu ex-marido — o principal arguido da Operação Marquês. Preferiu alegar desconhecimento total sobre o fluxo financeiro constante entre o ex-primeiro-ministro e aquele que o MP classifica de seu alegado testa-de-ferro, Carlos Santos Silva.

Sobre este assunto apenas disse: “Se calhar, se eu soubesse que ele [José Sócrates] pedia dinheiro emprestado para me emprestar a mim, eu não lhe pediria isso”, disse.

Ex-mulher de Sócrates:

De acordo com a acusação da Operação Marquês, Sofia Fava terá recebido cerca de 600 mil euros de José Sócrates e de Carlos Santos Silva entre 2007 e 2015, além da quantia de cinco mil euros mensais que uma empresa de Santos Silva, a XLM, lhe pagou entre 2009 e 2014 por conta de um contrato de trabalho como engenheira do ambiente que o MP diz ser falso mas que Fava garante que corresponde a serviços efetivamente prestados.

“Nunca fui pessoa de exigir pensão de alimentos. Estamos a falar do pai dos meus filhos e do meu ex-marido. Nunca tivemos uma conta de deve/haver. Eu nunca lhe disse dá-me X que amanhã preciso de Y. Ele sempre foi um mãos largas. Eu pedia-lhe para ir ao supermercado, e ele [José Sócrates] dava-me sempre muito mais dinheiro do que eu precisava”, justificou Sofia Fava.

Ivo Rosa insistiu com Sofia Fava de que os valores que José Sócrates lhe transferia eram muito significativos, superiores a ‘contas de supermercado’, visto que os valores variavam entre os 2 mil e os 5 mil euros ou então ultrapassavam várias dezenas de milhares de euros. E tentou perceber se a ex-mulher de Sócrates sabia a origem do dinheiro — o que Fava negou.

Ex-mulher de Sócrates:

O interrogatório focou-se ainda na aquisição do Monte das Margaridas — uma herdade no Alentejo que a ex-mulher de José Sócrates e o seu então companheiro Manuel Costa Reis compraram em 2012 em Montemor-o-Novo por cerca de 760 mil euros com crédito do Banco Espírito Santo (BES).

A aquisição desta propriedade, através de um crédito do Banco Espírito Santo (BES) está no centro da acusação que lhe foi feita pela equipa do procurador Rosário Teixeira devido à participação de Carlos Santos Silva como fiador.

O principal problema de Sofia Fava, como acabou por reconhecer depois de várias insistências do juiz Ivo Rosa, é que não tinha dinheiro para pagar o crédito que tinha pedido ao BES.

Fava acabou por explicar que o contrato de consultadoria que tinha assinado com a XLM de Carlos Santos Silva e que lhe rendia cinco mil euros por mês — o montante da prestação mensal que tinha de pagar ao BES pelo crédito do Monte das Margaridas –, juntamente com o aluguer de um andar na rua Abade Faria (prédio onde José Sócrates morou depois de ter sido libertado do Estabelecimento Prisional de Évora) — eram as únicas fontes de rendimentos.

 

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