Fogos em Mação e Vila de Rei: "O Estado falhou às populações. O país inteiro falhou"

A Câmara Municipal de Mação critica o que diz ser a falta de meios usados no combate ao incêndio que lavra desde sábado no concelho e em Vila de Rei. Populares combateram fogos e arriscaram a própria vida depois de perderem casas.

Fogos em Mação e Vila de Rei:
Imagem: Observador/ João Porfírio

O presidente da Câmara de Mação (Santarém) critica o que diz ser a falta de meios usados no combate ao incêndio que lavra desde sábado no concelho e em Vila de Rei. Para Vasco Estrela, é legítimo as populações questionarem “onde é que estava esta gente toda”, quando observaram a chegada dos meios por volta das 23h de domingo e que “não foram vistos durante quase 48 horas no concelho de Mação”.

Já o vice-presidente da Câmara de Vila de Rei, Paulo César, não tem dúvidas: “O Estado falhou às populações. O país inteiro falhou. Nós falhámos.”

Perante este cenário, o presidente da Câmara de Mação pediu, esta segunda-feira, maior “transparência” na divulgação de como os meios de combate aos incêndios são “balanceados” no terreno, lamentando que se diga que são os necessários quando há populações “desprotegidas”. Por seu lado, o vice-presidente da câmara de Vila de Rei disse que o concelho “está farto” de enfrentar chamas ano após ano.

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Falando junto ao posto de comando instalado na madrugada desta segunda-feira na aldeia de Cardigos, no concelho de Mação, o presidente da autarquia de Mação, Vasco Estrela, disse à Lusa não compreender por que razão os meios que chegaram por volta das 23h de domingo não foram posicionados antes, já que o fogo chegou “com uma violência extrema” ao concelho por volta das 18h de sábado.

“Não podemos conceber que se diga que os meios eram os necessários, os suficientes, quando tivemos populações completamente desprotegidas. Se se puder dizer que não havia realmente mais meios para colocar, temos que assumir que não havia mais meios, que o país não teve capacidade de resposta e assumir isso, ou então temos que dizer outra coisa, que os meios não estavam balanceados no terreno de forma adequada face às características que eram expectáveis que pudessem vir a acontecer”, declarou.

 

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