Grávida em trabalho de parto foi sozinha para outro hospital por falta de vagas

Hospital Amadora-Sintra sugeriu e deixou uma grávida em trabalho de parto deslocar-se pelos seus próprios meios para outro hospital por inexistência de vagas na instituição.

Grávida em trabalho de parto foi sozinha para outro hospital por falta de vagas
Imagem: CM

A Entidade Reguladora da Saúde censurou o Hospital Amadora-Sintra por ter sugerido e deixado uma grávida em trabalho de parto deslocar-se pelos seus próprios meios para outro hospital por inexistência de vagas na instituição.

“O que é censurado por esta entidade reguladora é precisamente o facto de, perante uma situação de inexistência de vagas para internamento no serviço de obstetrícia do Hospital Fernando Fonseca, o prestador ter sugerido a uma utente em trabalho de parto que se deslocasse, pelos seus próprios meios, para outro estabelecimento hospitalar”, refere a deliberação da ERS esta terça-feira divulgada.

Perante o caso, o regulador afirma que a obrigação do hospital seria providenciar, em tempo útil e de forma integrada, transporte adequado para a utente, nomeadamente através do Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM.

A ERS entende mesmo ser “incompreensível” que o hospital não tenha encontrado transporte adequado para a utente, avisando que “a segurança e previsibilidade da prestação de cuidados de saúde não se pode compadecer com a existência de mecanismos informais de transferência que estejam na dependência de familiares ou, como no caso, da própria utente”.

gravida em trabalho de parto foi sozinha para outro hospital

A deliberação indica que, “incitando a utente a deslocar-se pelos seus próprios meios” para outro hospital, o Amadora-Sintra colocou em causa “a integração e a qualidade dos cuidados de saúde prestados”.

Na resposta que fez chegar à ERS, o Hospital Amadora-Sintra lamenta a “escassez de recursos técnicos/humanos” que diz estar na origem do caso concreto.

Contudo, indicou que não ativou meios de urgência para transporte inter-hospitalar porque a utente abandonou as instalações do hospital após a primeira observação médica e quando foi informada da falta de vagas.

Na sua deliberação, a ERS rejeita os argumentos do hospital e recorda que foram os próprios profissionais a sugerir à grávida que poderia ser ela a procurar outro hospital. Por isso, apela a que futuras situações não se repitam e que sejam adotados mecanismos de transferência.

Depois de ter sido sugerido que se deslocasse a outra unidade, dirigiu-se ao São Francisco Xavier, em Lisboa. O filho acabou por nascer nesse hospital.

 

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