Investigação revela homossexualidade no Vaticano e na Igreja em Portugal

Livro publicado esta quinta-feira compara o Vaticano à cidade bíblica de Sodoma, um local onde "se encontra uma das maiores comunidades homossexuais do mundo".

Investigação revela homossexualidade no Vaticano e na Igreja em Portugal
Imagem: Expresso

“No Armário do Vaticano – Poder, Hipocrisia e Homossexualidade”, é o título do livro da autoria do jornalista francês Frédéric Martel.

A publicação, um volume de 646 páginas, é fruto de uma investigação de 4 anos, retrata centenas de casos e percorre o mundo católico de uma ponta à outra para concluir que existe uma “face escondida da Igreja” de que resulta a sua investigação: “Um sistema construído desde os mais pequenos seminários até ao Vaticano, assente sobre uma vida homossexual escondida e sobre a mais radical homofobia”.

Investigação revela homossexualidade no Vaticano e na Igreja em Portugal

No dia em que o Papa Francisco dá início à Cimeira sobre o Abuso Sexual e onde estarão presentes os mais altos dignitários da Igreja Católica, Martel socorreu-se das palavras do Sumo Pontífice para dizer que “por detrás da rigidez há sempre qualquer coisa escondida: em inúmeros casos, uma vida dupla”.

É a investigação dessa vida dupla que o jornalista faz no seu livro, comparando o Vaticano à cidade bíblica de Sodoma, um local onde “se encontra uma das maiores comunidades homossexuais do mundo”.

No que respeita ao clero português, é Carlos Azevedo (na imagem abaixo) quem surge como protagonista de um escândalo que pretende “ostracizar o pobre prelado”.

Martel considera que esse “escândalo Azevedo” não é “tanto sobre a eventual homossexualidade de um arcebispo, como na chantagem de que foi alvo” e regista o depoimento que ouviu do português: “Muito digno, Azevedo nunca falou publicamente do seu drama, que o foi ainda mais porque era o ‘diretor espiritual’ daquele que o acusou, acrescentando que o ‘rapaz era maior e nunca houve abusos sexuais'”.

Frédéric Martel usa o episódio português para concluir que Carlos Azevedo foi um peão numa armadilha para o impedir ser nomeado patriarca de Lisboa e cardeal.

Investigação revela homossexualidade no Vaticano e na Igreja em Portugal

Durante a investigação foram ouvidas mais de 1500 pessoas em trinta países e no Vaticano. Entre os inquiridos estão “41 cardeais, 52 bispos e monsignori, 45 núncios apostólicos e embaixadores estrangeiros e mais de duas centenas de padres e seminaristas”.

Martel é da opinião que “um padre ou um cardeal não deve ter a menor vergonha de ser homossexual” e que até deveriam ter “um estatuto social”. No entanto, garante que “sem esta grelha de leitura, a história recente do Vaticano e da Igreja romana fica opaca” e que ao ignorar-se a “dimensão largamente homossexual privamo-nos de uma das principais chaves de compreensão da maior parte dos factos que mancharam a história do Vaticano nas últimas décadas”. Segundo afirma, a “dimensão gay não explica tudo, mas é decisiva para compreender as posturas morais do Vaticano”.

 

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