Marinho e Pinto diz adeus à política

"Há políticos que não sabem o que é pagar o próprio telemóvel porque o partido sempre assumiu esse custo, não sabem o que é pagar um almoço porque sempre usaram o cartão do Estado".

Marinho e Pinto diz adeus à política
Imagem: TVI24

Se as sondagens se confirmarem e não for eleito, Marinho e Pinto garante que sai da política. À revista Visão, o líder do PDR traçou um retrato negro do cenário em Portugal.

“Isto está cada vez pior, cobram-se mais impostos, as clientelas são cada vez mais vorazes, há políticos que o são desde os 14 anos e que, provavelmente, não sabem o que é pagar o próprio telemóvel porque o partido sempre assumiu esse custo, não sabem o que é pagar um almoço porque sempre usaram o cartão do Estado, e a comunicação social foi corrompida de alto a baixo”, atirou.

O advogado, candidato pelo Partido Democrático Republicano às próximas legislativas, diz que é apenas realista. “Olho para o que está à minha volta e faço a minha análise”, explicou, depois de assumir que, a 6 de outubro, cumprirá o seu quarto e último desafio eleitoral. “É a última vez que concorro a qualquer coisa, já passei do prazo, estou fora”.

Independentemente do resultado, a decisão está tomada. “Se não for eleito, é a ultima vez que concorro a uma eleição”, disse Marinho e Pinto, que logo a seguir acrescentou: “Se for eleito também é a última vez, porque não me candidato seja ao que for daqui a quatro anos”. À partida, a idade seria a principal razão do afastamento. “Já tenho quase 70 anos, há muito que devia ter deixado a política.” Mas há outras razões para o afastamento.

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Marinho e Pinto bate com a porta cinco anos depois de ter regressado à política. Logo depois de ser eleito para o Parlamento Europeu, em 2014, nas primeiras eleições que disputou – e as únicas que venceu –, Marinho e Pinto ainda tentou conquistar um lugar na Assembleia da República. Ficou 14 mil votos atrás do PAN e falhou o objetivo.

Em maio deste ano, tentou a reeleição para Bruxelas, mas os menos de 16 mil votos que obteve deixaram-no longe desse lugar e o PAN voltou a ganhar essa corrida. Agora, o ex-bastonário da Ordem dos Advogados, e ex-eurodeputado eleito pelo Movimento Partido da Terra (MPT), é cabeça de lista pelo círculo eleitoral do Porto nas legislativas de outubro, pelas listas do Partido Democrático Republicano, que fundou depois de romper com o MPT.

“Acreditei que era possível mudar as coisas pela vida democrática, mas já percebi que não. O país não tem mudança”, referiu. “Há de vir aí um ditador”, garantiu, à medida que percorre vários centros do poder do mundo atual.

“Trump, Bolsonaro, Orban, Salvini, o Vox aqui ao lado, a [Marine] le Pen, em França – nada disso são epifenómenos, é o resultado de opções de eleitores desiludidos com a democracia”. Será só uma questão de tempo até esses movimentos chegarem ao extremo oeste da Europa, sugere. “O sistema democrático em Portugal perdeu a superioridade moral que tinha em relação à ditadura”.

 

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