Médicos acusam Infarmed de recusar tratamento a doentes com cancro

Autoridade Nacional do Medicamento está a recusar prescrição de medicamentos que custam ao SNS entre dois mil a cinco mil euros por mês por doente...mas que aumentam a probabilidade de sobrevivência dos doentes.

Médicos acusam Infarmed de recusar tratamento a doentes com cancro
Imagem: JN

Medicamentos inovadores capazes de atuar na evolução de cancros da mama, pulmão, próstata ou melanoma estão a ser recusados a centenas de doentes pelo Infarmed, avança o jornal Expresso. A denúncia foi feita pelo Colégio de Oncologia numa carta enviada à Ordem dos Médicos.

Na missiva, os representantes dos três Institutos de Oncologia e de grandes hospitais como Santa Maria, em Lisboa, e São João, no Porto acusam a Autoridade Nacional do Medicamento, de negar “acesso a medicação com efeito comprovado na diminuição de recidiva ou no aumento da probabilidade de sobrevivência” a centenas de doentes de cancro. Isto porque, segundo os peritos do Infarmed, não há “risco imediato”, mas apenas “risco de vida”.

Em causa estão cinco fármacos que, segundo o Expresso, custam ao SNS entre dois mil a cinco mil euros por mês por doente, com indicação para seis meses a um ano, e que já foram aprovados em dezenas de países como a Alemanha, Áustria, Grécia e Luxemburgo.

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Também a Sociedade Portuguesa de Oncologia “já estava a preparar uma tomada de posição pública”, afirma o presidente Paulo Cortes. “Desde o ano passado, a situação tem-se agravado com mais pedidos recusados”, disse ao mesmo jornal.

A Ordem dos Médicos quer que sejam diretamente responsabilizados os diferentes peritos envolvidos na cadeia de acesso ao medicamento por decisões erradas que impeçam de “preservar a vida de doentes com cancro”.

“Negar no SNS o acesso dos doentes a medicação com efeito comprovado na diminuição do risco de recidiva ou no aumento da probabilidade de sobrevivência constitui uma situação muito grave, ainda mais quando sabemos que, em muitos casos, a mesma medicação está livremente disponível para uso no setor privado e social”, refere a posição assumida pelo órgão máximo da Ordem dos Médicos e a que a agência Lusa teve acesso.

 

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