Moura Guedes: "Tive pena do Sócrates. Que chulice!"

"Tive pena do Sócrates. Aquele chorrilho de mulheres a pedirem-lhe dinheiro. Que chulice!"

Moura Guedes:
Imagem: Lux

Manuela Moura Guedes era a voz e a força do Jornal Nacional de sexta-feira, na TVI, cuja equipa se dedicava ao jornalismo de investigação. Agora que são conhecidas as acusações da Operação Marquês, Moura Guedes desdobra-se em entrevistas.

Questionada pelo ionline sobre as escutas do caso que envolve José Sócrates, confessa que achou “fascinante”. De seguida, faz uma revelação surpreendente: “Estava uma noite destas sozinha, com um jornal na mão, e vi aquelas escutas com as mulheres, aquele chorrilho de mulheres que ele tinha a pedirem-lhe dinheiro. Estive a ler e dei comigo com pena dele.”

“Aquilo era uma coisa inacreditável (…) ele dava dinheiro em barda àquele mulherio todo. E pensei: “Isto não é normal, eu estou com pena dele”. Aquilo era demais, até a mãe. “Ó filho…” “Mmmm” – ele fazia este som cada vez que cada mulher lhe ligava [risos] – “então” “ó filho, não vou dizer… é que vi um casaquinho tão lindo…”. [risos] Pimba! Lá ia! Chulice!”, diz Manuela Moura Guedes.

A jornalista deixa um alerta: “Há uma coisa que acho que não foi devidamente analisada e que devia ser para que Portugal crescesse e se desenvolvesse e que os mesmos erros não voltassem a ser cometidos, que é analisar aquele período e ver como a democracia esteve em risco, como um primeiro-ministro eleito enganou tanta gente e as pessoas deixaram-se enganar, ou não quiseram saber e ele esteve a tentar – e tentou e conseguiu, nalguns casos – controlar meios essenciais que são a base de uma democracia.”

Moura Guedes frisa que “A Justiça, controlou-a completamente. O Ministério Público estava completamente controlado. Controlou o sistema financeiro – para isso foi essencial o Armando Vara, não é? –, a CGD, o BCP, maior banco privado, em que todos nós sabemos o que aconteceu, controlou o meio empresarial – o que aconteceu na PT tinha, como depois se veio a saber na Operação Marquês, o Dono Disto Tudo a colaborar [Ricardo Salgado] nesta teia, que é uma teia muito mais complicada do que aquela que está patente na Operação Marquês.”

Tentou também “controlar e conseguiu, em grande parte, a comunicação social, que estava completamente dominada e era subserviente, submissa ao poder político e neste caso a José Sócrates. Portanto, Justiça, meio empresarial, sistema financeiro, os media, tudo isto tentou e em grande parte conseguiu”, afirma a jornalista.

 

 

 

Comente esta notícia