Padre de Vila Real teve filho com uma catequista

A catequista contou à PJ que tinha 12 anos quando começou a relação com o padre de quem engravidou. Ele foi investigado por abusos sexuais, mas a Igreja não agiu. Está agora colocado no Canadá.

Padre de Vila Real teve filho com uma catequista
Imagem: Observador

O padre Heitor Nunes, natural de Vila Real, está a ser acusado por uma catequista de ter abusado dela quando era uma criança e de quem teria uma filha 12 anos mais tarde.

A catequista, hoje com 26 anos, tinha apenas 12 quando o padre a começou a assediar. Trocaram centenas de mensagens, por SMS e nas redes sociais, até começarem os encontros e os passeios em locais isolados da zona de Vila Real. Depois, vieram as carícias.

Tal como avança o Observador, a jovem chegou a dizer ao padre que, apesar de terem 20 anos de diferença, sentia que se estava a apaixonar, mas as mensagens não pararam. Tinha já 14 anos, ele 34, quando aconteceu o primeiro beijo.

Nessa altura, era catequista numa das paróquias da diocese de Vila Real atribuídas ao padre Heitor. A relação teve altos e baixos até que foi interrompida por vontade da catequista.

Padre de Vila Real teve filho com uma catequista

Em 2011, já ela tinha mais de 18 anos e andava na universidade, acabou por envolver-se com um rapaz da sua idade para esquecer o padre Heitor, mas a relação acabou mal. O padre Heitor nunca deixou de a contactar e ela acabaria por voltar para ele, já em finais de 2013.

Acabaria, também, a aceitar o convite que o Padre Heitor lhe fez: ele arrendava uma casa para viverem os dois numa cidade próxima de Vila Real, ela estudava e trabalhava para pagar as suas contas. Deixar as funções de padre não estava em causa: ele mantinha o trabalho na Igreja e, sempre que pudesse, estaria com ela.

Chegou a ajudá-la nas propinas e era ele quem pagava a casa. Pouco depois, quando já tinha 23 anos, Mariana engravidou — e aí começaram os problemas, com muitas discussões por causa da paternidade oficial da criança, uma menina.

De acordo com a mesma fonte, o padre Heitor não queria que o nome dele aparecesse no registo civil como pai da bebé. Isso mesmo acabaria por contar também a própria jovem à Polícia Judiciária, num inquérito em que o padre foi investigado por alegado abuso sexual de menores e que acabou arquivado.

Padre de Vila Real teve filho com uma catequista

Os problemas entre ambos tornaram-se ainda mais graves quando, ainda a bebé não tinha um ano, a jovem descobriu que o padre mantinha um caso com outra mulher e decidiu pôr um ponto final na relação. Na altura, na paróquia de Nogueira, todos ficaram a saber que Mariana tinha uma filha do padre, mas quase todos lhe apontaram o dedo e as culpas.

Chamado à PJ, o padre Heitor Nunes foi questionado se mantinha algum relacionamento com uma menor, que estaria grávida. O padre negou as acusações e disse que iria ser colocado numa paróquia no estrangeiro, “por causa de uma situação pessoal”.

Está, desde 2016, na paróquia de Santa Maria, uma comunidade de emigrantes portugueses que faz parte da diocese de Hamilton, em Ontário, no Canadá. Celebra missas em língua portuguesa todos os fins de semana e, em Vila Real, todos continuam a acreditar que o padre “é um rei”.

 

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