Parlamento chumba proibição das touradas

O respeito pela liberdade e pela tradição foi o principal argumento de PS, PCP, PSD e CDS para votar contra a proposta do PAN para abolir as touradas em Portugal.

Parlamento chumba proibição das touradas
Imagem: Público

Projecto do PAN (Pessoas Animais Natureza), que queria a abolição em Portugal das corridas de touros, foi chumbado esta sexta-feira, no Parlamento, pela maioria dos deputados do PS, PCP, PSD e CDS.

O BE votou a favor (à excepção do deputado Carlos Matias) mas não deixou de criticar o projecto do PAN por não prever as consequências de uma eventual aplicação da proibição.

Ao lado do BE e do PAN estiveram oito deputados do PS, entre eles, Ana Passos, Luís Graça, Diogo Leão, Tiago Barbosa Ribeiro, Rosa Albernaz e Carla Sousa. O social-democrata Cristóvão Norte também votou a favor.

Na bancada do PS foram ainda registadas 12 abstenções, entre eles, Sónia Fertuzinhos, Paulo Trigo Pereira, Elza Pais, João Torres, Alexandre Quintanilha e Filipe Neto Brandão. No PSD só houve uma abstenção, a de José Matos Correia.

No arranque do debate, o deputado do PAN, André Silva, fez um discurso duro contra as corridas de touros. “A tauromaquia consiste na exibição da mais abjecta cobardia de que a espécie humana é capaz: o execrável divertimento com a fragilidade e com a dependência alheias”, declarou.

O deputado condenou ainda os argumentos dos que votaram contra a abolição das tourada – os quais defendem que os espectáculos tauromáquicos fazem parte da herança cultural e da tradição nacional.

Parlamento chumba proibição das touradas

 

“Da nossa herança enquanto povo faz parte a escravidão, a colonização, a Inquisição, a pena de morte, a caça à baleia ou a subjugação patriarcal das mulheres, valores e práticas que foram sendo abandonadas e perderam por completo o seu espaço, não nos merecendo hoje qualquer saudosismo”, disse, pedindo à classe política “coragem para assumir o desígnio civilizacional da não-violência”.

Telmo Correia, vice-presidente da bancada centrista, referiu que existe diversidade no seu próprio grupo parlamentar. “Há uns que aficionados” e outros que “não são aficionados” ou “alguns como eu que não vão a corridas há muitos anos. Mas estamos contra as proibições”, disse, criticando o projecto por “condenar esta gente toda que vive desta actividade”.

O dirigente do CDS-PP recordou ainda que “também há violência na caça”, dirigindo-se ao deputado do PAN: “Teríamos todos de adoptar a sua dieta e o veganismo?”. E num recado para o Bloco de Esquerda, que já dirigiu uma câmara de um município com tradição tauromáquica, o centrista atirou: “Não somos uma coisa aqui e outra em Salvaterra de Magos”.

Já o PCP, através de Ângela Moreira, disse que “o PAN não admite que haja outras culturas, só admite os seus padrões culturais”, sublinhando que o projecto abre um “conflito directo com comunidades inteiras”. A deputada defendeu que “o caminho é o do respeito pela identidade cultural, acompanhado de uma acção pedagógica junto dos jovens sobre o bem estar animal”.

 

 

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