Pedrógão: "bens armazenados não são nossos, estão à nossa guarda"

Eletrodomésticos, colchões e outros artigos doados para equipar as casas reconstruídas em Pedrógão não foram entregues às vítimas dos incêndios. Presidente da Câmara, suspeito de favorecimento dos donativos, tinha tudo num armazém.

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Imagem: TVI24

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, desmentiu uma reportagem da TVI que dava conta da existência de diversos bens, guardados em dois armazéns, que não terão sido entregues às vítimas dos incêndios de 2017, a quem eram destinados.

O autarca socialista garante que as doações em causa pertencem às entidades envolvidas na reconstrução das casas ardidas, que lhe pediram para guardá-las até as habitações estarem concluídas.

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“Nada disso corresponde à verdade. Nada saiu para membros da família ou do executivo”, garantiu Valdemar Alves. “Os bens que lá estão não são nossos, estão à nossa guarda. São das instituições que estão lá a reconstruir as casas e são para equipar as casas”, assegurou.

O autarca explicou ainda que foi colocada uma retroescavadora a impedir o acesso aos locais onde os bens estão armazenados, por questões de segurança. “Já fomos objeto de três furtos e aquela máquina é para que nenhum camião de gatunos possa entrar lá dentro”, afirmou.

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“Com medo, fui eu até que ordenei que se colocasse lá a máquina, porque as crianças iam transmitir o que lá havia dentro”, justificou o presidente da Câmara de Pedrógão Grande, que diz terem sido alvo de atos de vandalismo, participados à GNR. “Destruíram e espalharam lá umas latas de tinta”, explicou.

Face à divulgação das imagens dos bens – eletrodomésticos, colchões, entre muitos outros artigos – que se encontravam no interior de um armazém e de um pavilhão desativado, Valdemar Alves revelou que vai comunicar às entidades que lhe pediram para os guardar, para procuraram outro local para esse fim. “Fico preocupado que os bandidos saibam o que lá há dentro.”

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Quanto à reportagem da equipa de Ana Leal, o autarca sente-se “perseguido”. “É um caso político. Ontem ficou esclarecido naquele trabalho. O meu mal foi ter ganho as eleições”, comentou.

Recorde-se que Valdemar Alves foi constituído arguido no caso relacionado com os incêndios de 17 de Junho de 2017 devido às responsabilidades que este tinha nas áreas da protecção civil e limpeza das faixas de gestão de combustível.

Além disso, Valdemar Alves, e o vereador Bruno Gomes são acusados de conivência com uso fraudulento dos fundos solidários para a recuperação de casas de primeira habitação. São às dezenas as denúncias de fraude no uso dos fundos concedidos pelo Estado e dos donativos solidários dos portugueses às vítimas do trágico incêndio de junho de 2017.

 

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