"Penso todos os dias nos lesados do BES e sofro com isso"

"Não fui eu que provoquei os lesados, não fui eu que causei esta resolução. Não sou responsável por isso", disse ainda Ricardo Salgado numa entrevista à TSF.

Imagem: Notícias ao Minuto

O antigo homem forte do Banco Espírito Santo disse, numa entrevista à TSF este domingo, que pensa “todos os dias” nos lesados do BES. “Todos os dias. E sofro com isso”.

Ricardo Salgado sofre, mas não por admitir responsabilidades próprias na situação que levou ao descalabro da instituição. “Não fui eu que causei os lesados. Os lesados foram causados pela resolução [decidida pelo Banco de Portugal]”, afirmou.

 

“O Banco Espírito Santo tem 150 anos e nunca lesou ninguém. Agora, quem desencadeou este processo do cerco à área não financeira do grupo é que acabou por fazer cair empresas como a Tranquilidade e outras”, prossegui.

O ex-banqueiro revelou ainda que, apesar de ter a “consciência tranquila” quanto à queda do banco, não dorme “totalmente descansado” exatamente por causa dos lesados. “Não fui eu que causei os lesados. Os lesados foram causados pela resolução”.

Na entrevista, Ricardo Salgado recusa ter manchado a reputação dos Espírito Santo. “Eu não manchei a reputação da minha família. A minha família, se considera que a reputação foi manchada pelo desaparecimento do BES, tem que ir cobrar essa responsabilidade a quem a teve. Mas não a mim”, continuou.

Recorde-se que Salgado é, atualmente, arguido na Operação Marquês, processo no qual está acusado de 21 crimes – de corrupção ativa de titular de cargo político, corrupção ativa, branqueamento de capitais, abuso de confiança, falsificação de documentos e fraude fiscal qualificada. É também arguido no caso Monte Branco, no processo da queda do BES e no caso EDP, mas nestes processos não foi ainda deduzida acusação.

O ex-banqueiro admitiu “falhas” na gestão do BES, mas defende que nem foram intencionais nem constituíram qualquer crime.

“Não sacudi a água do capote e quando fui à Comissão Parlamentar de Inquérito, disse com certeza que houve erros que foram praticados, 22 anos sem qualquer erro é impossível. Mas erros que, quanto a mim, considero de julgamento. Não são erros de princípios. Houve escolhas de quadros que foram ocupar posições importantes, que provavelmente foram erradas. Provavelmente não, hoje em dia tenho a certeza de que foram erradas, nomeadamente aqueles que foram para Angola”, conta Salgado, apontando os nomes de Álvaro Sobrinho e Hélder Bataglia.

 

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