Proteção Civil colaborou em novela sem cobrar e até pagou combustível

Agentes da Protecção Civil e veículos recriaram incêndios de outubro de 2017 para uma novela da SIC. O problema é que não cobraram nada e até pagaram as despesas com veículos. Assunto está a gerar muita polémica e a Liga dos Bombeiros já exigiu explicações ao Governo.

Proteção Civil colaborou em novela sem cobrar e até pagou combustível
Imagem: JN

Agentes da Protecção Civil e veículos recriaram incêndios de outubro de 2017 para uma novela da SIC. O problema é que não cobraram nada e até pagaram as despesas com veículos. Assunto está a gerar uma onda de polémica.

O único veículo de comando do distrito de Leiria da Proteção Civil foi usado, esta quarta-feira, numa recriação dos fogos de 2017 para uma novela da SIC.

Ao que se sabe, a Proteção Civil não cobrou nada pelos meios de combate a fogos que mobilizou para a novela, onde se recriou a tragédia em que morreram 49 pessoas e 70 ficaram feridas.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) deu uma borla à produtora SP Televisão e ainda pagou o combustível dos meios usados no evento que entrou pela noite dentro e acabou na madrugada desta quinta-feira.

Ao JN, a ANEPC explicou que pelos meios mobilizados “não houve qualquer pagamento” por parte da produtora de TV, que forneceu “apoio logístico aos meios materiais e humanos”. A Proteção Civil assumiu ainda “o custo com o combustível associado à deslocalização dos meios”.

O contingente incluiu todas as corporações de bombeiros do concelho de Leiria, “canarinhos” da Força Especial de Bombeiros (FEB), o Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da GNR e uma estrutura de rádio SIRESP.

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Após receber, há um mês, o convite da SP, a ANEPC, através do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Leiria, mobilizou as corporações – que nada auferiram. Os bombeiros foram ainda desafiados a participar como figurantes, sem fardas, apurou o JN.

A disponibilidade da ANEPC para recriar a destruição do Pinhal de Leiria foi tal, que até terá cedido uma farda de comando para um figurante usar nas filmagens.

A ANEPC explicou que o objetivo da sua participação teve como meta a “sensibilização do público” para a matéria dos fogos e “em nenhum momento esteve em causa o socorro à população” – argumentos usados também pela SP Televisão. A Proteção Civil referiu ainda que os meios mobilizados, “na sua maioria meios de apoio e não de combate direto”, são os de “reserva” e que, em caso de urgência, poderiam ser desviados.

Porém, apurou-se que a maioria dos meios usados não eram de reserva, como o único veículo de comando e comunicações (VCOC) do distrito de Leiria, que foi usado todo o dia. Assim como os equipamentos dos “canarinhos”. Fonte ligada ao processo revelou que foram necessários meios de combate porque “houve uma simulação” de fogo.

A Liga dos Bombeiros Portugueses exigiu ao Governo informações sobre este caso, num momento em que o país já está no segundo nível de empenhamento do dispositivo de combate a fogos. A instituição, liderada por Jaime Marta Soares, apontou que “não se descortina qualquer resultado prático” desta participação.

Tanto foi assim, que a Liga de Bombeiros já exigiu ao Governo explicações sobre tamanho aparato.

 

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