Reações à mensagem de Natal de Costa: "não é bom repetir frases da direita"

PCP fala em discurso contraditório com a ação do Governo. O BE diz que partes do discurso estão muito próximas da direita. Já o CDS sublinhou falta de coerência e diz ser a "única alternativa" para o país.

Reações à mensagem de Natal de Costa:
Imagem: JN

Foram vários os partido que reagiram à tradicional mensagem de Natal do primeiro-ministro. Isto depois de António Costa ter defendido que Portugal virou a página dos anos mais difíceis e está agora melhor, mas que ainda muito trabalho pela frente.

O PS considerou que a mensagem foi “serena, realista e inconformada”, defendendo que “ainda é preciso caminhar” apesar do “muito já foi feito” para melhorar a qualidade de vida dos portugueses.

Em declarações à Lusa, o deputado do PS Hugo Pires revelou que “o PS se revê na integra, com muita humildade”, uma vez “que não está tudo feito, ainda é preciso caminhar muito, mas que muito já foi feito”.

Para Hugo Pires, a mensagem de Natal de António Costa foi serena porque Portugal vive “tempos mais sossegados, mais tranquilos”, com “contas certas” e, “pela primeira vez neste século”, com a economia a crescer “mais do que a média europeia”.

“Depois realista porque, apesar deste Governo ter travado a fundo o caminho do empobrecimento que Portugal estava a seguir e sendo hoje inegável a melhoria das condições de vida dos portugueses, é preciso fazer mais”, concordou.

Na opinião do deputado socialista “é preciso continuar a trabalhar para criar condições para haver melhores salários, trabalho digno”, apontando ainda o investimento “em saúde, educação e infraestruturas” como objetivo.

A mensagem de António Costa aos portugueses foi “inconformada porque fala dos dois grandes desígnios” para o país, como a “valorização do território e demografia”, justificou ainda.

Reações à mensagem de Natal de Costa:

Já Marisa Matias, do BE, destacou que o primeiro-ministro “falou de risco de retrocesso” e deixou um aviso: “não é bom repetir em 2018 uma frase da direita de 2014”.

“O risco de retrocesso que nós enfrentamos é o não crescimento e descurar as políticas públicas. Isso é o verdadeiro risco de retrocesso e por isso, nesse sentido, creio que não podemos, de maneira nenhuma, voltar a soluções que se provaram erradas e que justificaram na altura os cortes permanentes”, alertou.

O dirigente comunista Jorge Pires disse que o PCP registou no discurso a questão do respeito pelos direitos, a melhoria das condições de vida e dos rendimentos, um caminho “associado ao papel e influência do PCP” e que desmente os que defendiam que poria em causa o crescimento económico e aumentaria o desemprego.

No entanto, nas palavras de Jorge Pires, há uma contradição entre o que o primeiro-ministro diz e pensa ser o caminho a continuar no próximo ano, e o que o Governo faz, “que vai no sentido oposto do que ele acha que deve ser o caminho para melhorar as condições de vida, aumentar o crescimento económico” ou repor direitos e rendimentos.

Tal é visível, disse Jorge Pires, em relação aos direitos dos trabalhadores, com o Governo a associar-se “ao grande patronato e fazer aprovar legislação laboral que vai exatamente ao contrário daquilo que é a defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores”.

Também Pedro Mota Soares, do CDS, sublinhou a falta de coerência do discurso e disse que o partido é a “única alternativa” para o país.

“Temos um primeiro-ministro que fala da demografia, do interior de Portugal, das empresas e da economia”, mas que chumbou propostas do CDS-PP no parlamento para apoiar o investimento, baixar os impostos de quem trabalha no interior e às empresas que criam emprego, salientou.

Além disso, apontou, o Governo de António Costa “fez as maiores cativações e apresentou os piores serviços públicos, quer nos transportes, na saúde, até na segurança dos portugueses”.

“É responsável pela maior carga fiscal de sempre, a começar pela gasolina e pelo gasóleo”, rematou

 

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