Relato de Jesus: “Fernando, ajuda-me, estão a bater nos jogadores"

Relato do treinador sobre as agressões em Alcochete foi tornado público. Jesus conta que foi agredido por duas pessoas diferentes e que pediu ajuda ao ex-líder da Juve Leo, que fazia parte do grupo de encapuzados, mas ele nada fez.

Relato de Jesus: “Fernando, ajuda-me, estão a bater nos jogadores
Imagem: CM

“Vocês são filhos da p…, c… Montes de m… Vamos-vos matar! Vocês estão f…! Vamos-vos arrebentar a boca toda! Não ganhem no domingo [final da Taça de Portugal] que vocês vão ver!” Estas ameaças foram feitas a jogadores e técnicos do Sporting, sequestrados e agredidos, por 50 encapuzados que invadiram a academia em Alcochete, descreve o Ministério Público no despacho em que indicia 23 detidos por terrorismo.

No testemunho prestado na noite dos crimes, citado pelo Observador, Jorge Jesus contou que foi agredido por duas pessoas diferentes e que pediu ajuda a Fernando Mendes, ex-líder da claque sportinguista Juve Leo, mas ele nada fez.

De acordo com o treinador, enquanto estava a marcar o campo, foi surpreendido por cerca de 20 ou 30 “indivíduos a entrar nas instalações”. A maior parte trazia a cara coberta. Outros usavam uma pintura na cara nos tons do clube, verde e branco, como se fosse uma máscara. “Está ali o mister. Não é ele que a gente quer … onde estão os jogadores?”, disseram os agressores.

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O treinador do Sporting viu, depois, o grupo incansável à procura do plantel em todas as portas da academia. E percebeu que “algo de errado” se estava a passar. “Iriam agredir os elementos do plantel no interior das cabines”, concluiu. Jesus ainda correu atrás do grupo para o interior das instalações, mas os agressores já estavam a regressar. E, segundo garante, não testemunhou qualquer agressão.

No entanto, quando estava a voltar ao campo, e pensando que estava imune ao ataque por causa das palavras que ouvira, acabou dominado e agredido por um dos elementos de cara tapada. O agressor usou “um cinto de cor verde direcionado contra a sua face”, relata a GNR no depoimento que consta no processo.

Sabe-se que Jesus ainda deu luta. Correu atrás dele para se defender, mas acabaram os dois por cair no chão. Nesse momento um outro agressor aproximou-se e começou a pontapeá-lo. As marcas no rosto de Jesus, bem como o olho negro, mostram bem a violência de que foi alvo.

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Ainda estava no chão quando percebeu que no grupo havia um elemento de cara destapada, que bem conhecia: Fernando Mendes, ex-líder da claque sportinguista Juve Leo, que não foi detido. “Fernando, ajuda, estes gajos estão a bater nos jogadores, ajuda-me”, terá dito a Fernando Mendes. “A gente não veio aqui para bater, só para falar”, respondeu. Mas nada fez para travar ou evitar as agressões, denunciou Jorge Jesus às autoridades.

A versão do treinador não condiz, contudo, com a da investigação das autoridades. Segundo esta, Jorge Jesus foi dos primeiros a ser agredido, juntamente com João Rolin Duarte e Paulo Cintrão, que se encontravam juntos no campo de treino. Só depois os agressores se terião dirigido ao balneário. Porém, Jesus apresentou outra cronologia dos acontecimentos.

 

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