Santuário de Fátima não incentiva mas não proíbe andar de joelhos

"Não potenciamos nem incentivamos esse tipo de prática", referiu o reitor do Santuário de Fátima, o padre Carlos Cabecinhas.

Santuário de Fátima não incentiva mas não proíbe andar de joelhos
Imagem: JN

O Santuário não fomenta os percursos de joelhos nem outras formas de “pagar promessas”, mas também não as proíbe.

“Não potenciamos nem incentivamos esse tipo de prática”, referiu o reitor do santuário de Fátima, Carlos Cabecinhas, ao JN. Disse também que tem “um profundo respeito pelas pessoas que o fazem, pois quem faz uma promessa desse género, fá-lo sempre em situações dramáticas e de grande sofrimento”.

“Por definição, a peregrinação, seja a Fátima, a Compostela ou a outro santuário, implica sempre esforço, portanto sacrifício”, considerou o padre Cabecinhas.

Por estes dias, a Cova da Iria e, sobretudo, junto à capela das Aparições, centenas de pessoas de várias nacionalidades cumprem promessas de joelhos e até a arrastarem-se no chão até junto da imagem de Nossa Senhora.

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“Colocar o foco de atenção no sacrifício é desviar a atenção do fundamental”, frisou o reitor, concordando que “o sacrifício impressiona sempre e esteve sempre presente em Fátima, não como fim em si, mas como expressão de amor”.

Já o sociólogo Boaventura Sousa Santos acredita que, se houvesse vontade, o santuário já tinha acabado com “as promessas de joelhos ou a rastejar”.

“Uma igreja esclarecida e renovada desconsidera as formas de sacrifício e se, por exemplo, o local para cumprir este tipo de promessas fosse transferido do meio do recinto para um local afastado privado de olhares curiosos, havia logo uma redução no número de pagadores de promessas”, salientou o docente na Universidade de Coimbra.

Até porque, “inconscientemente, as pessoas gostam de mostrar o sofrimento e o sacrifício aos seus pares. Se cumprissem as promessas em privado, o efeito seria outro”.

 

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