Sócrates: motorista diz que dinheiro vinha de "esconderijo"

As escutas de João Perna, motorista de José Sócrates, revelam muitos detalhes sobre a vida do ex-primeiro-ministro.

Sócrates: motorista diz que dinheiro vinha de
Imagem: Euronews

“Aquilo não veio de bancos, não veio de nada. Aquilo vem do esconderijo, pronto”. Eram estas as palavras de João Perna, motorista de José Sócrates, quando contava aos que lhe eram próximos qual a proveniência dos elevados montantes que o ex-primeiro-ministro tinha ao seu dispor.

Em conversa com um amigo, o motorista revela que chegou a ponderar retirar algum dinheiro daquele que Sócrates fazia passar pela sua conta, para pagar valores que o ex-primeiro-ministro lhe devia. “Há-de pagar tudo o que ele me ficou a dever, o que ele não me pagou. Foi subsídios e não sei quê (…), mas de preferência agarro-me ao dinheiro, que ele não tem provas, não tem nada. Aquilo é tudo pela porta do cavalo. F***, esse é que é o meu fundo de maneio”, disse João Perna. “Mesmo que eu fosse obrigado a devolver… que eu não acredito que ele entrasse por aí, porque aquilo veio tudo escondido, estás a perceber? Aquilo não veio de bancos, não veio de nada, vem do esconderijo, pronto.”, revelou o motorista ao mesmo amigo.

Às autoridades, confessou que tinha uma espécie de conta-corrente com o patrão, da qual pagava despesas como contas dos restaurantes, reparações do Mercedes e despesas no dentista. Numa vez, chegou a passar um cheque de 6050 euros à clínica Malo. “José Sócrates deu-me o dinheiro, acho eu que foi em numerário, para fazer o depósito e depois pagar lá à Malo Clinic”, revelou no interrogatório. “Disse-me: ‘Para não ires com este dinheiro todo, depositas’”.

João Perna chegou a ter no bolso 2500 euros para despesas quotidianas, mas confessa que “ficava receoso de andar com aquele dinheiro, mas também ficava receoso de saber que se ele precisasse dos 2500 eu não os tinha comigo”. Numa conversa com a ex-mulher, o motorista contou que, no dia anterior, Carlos Santos Silva tinha ido ter com o ex-primeiro-ministro “com uma granda mala cheia da guita”.

“Isto é um crime, como é que de um momento para o outro desaparece tanto dinheiro, tanto dinheiro, tanto dinheiro (…). Ainda agora só de telemóvel foram 1500 euros. Porra, até dói, não é? E depois as pessoas têm de viver com o ordenado mínimo”, desabafou à ex-mulher. No interrogatório esclareceu: “Claro que não vi uma mala cheia de dinheiro, é uma maneira de se falar. Ele não tinha dinheiro no dia antes e no dia a seguir o dinheiro aparecia!”

 

 

Comente esta notícia