Sócrates sente-se abandonado por António Costa

Três anos depois do início da Operação Marquês, Sócrates sente-se injustiçado e lamenta que os amigos políticos o tenham abandonado.

Sócrates sente-se abandonado por António Costa

Numa entrevista ao La Voz de Galicia, José Sócrates acusa António Costa e a cúpula do Partido Socialista de lhe voltarem as costas. “Os últimos três anos foram muito duros, embora não goste de me lamentar”, disse o antigo primeiro-ministro. Sócrates reforça que é vítima de uma conspiração, mas sobre Costa assegura: “Éramos amigos, apesar de tudo o que se dizia. A nossa relação sempre foi boa. Elegi-o como ministro e como meu sucessor natural. Apoiei-o na candidatura à Câmara de Lisboa e depois à secretaria-geral do partido. Tudo acabou quando me detiveram e tanto ele como a cúpula do PS me viraram as costas”.

O socialista foi detido a  22 de novembro de 2014, suspeito dos crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais, mas afirma que é “inocente e vítima de uma conspiração política, para impedir uma impossível candidatura à Presidência da República, e judicial sem precedentes em Portugal”. Sócrates chega a comparar-se a Lula da Silva e lamenta que “o partido dele apoia-o e a mim não”.

Sócrates confessa ainda que não acredita na justiça portuguesa: “O caso Marquês estende-se sem acusação desde há três anos porque não encontram provas contra mim. Fui detido como um criminoso no aeroporto de Lisboa quando regressava de Paris, ficando em prisão preventiva nove meses e libertado por falta de provas”. Se não se fizer justiça, admite recorrer ao Tribunal Europeu: “Se chegar a esse ponto, acusarei o juiz Carlos Alexandre e a justiça pela atuação contra mim no processo e pelo dano moral que me estão a causar. Não têm o direito de me submeter a esta pressão e desgaste físico e psíquico há três anos. Estão a tentar destruir-me e separar-me da minha família mas não conseguiram, nem conseguirão”.

 

 

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