Tancos: militar garante que ministro da Defesa soube do encobrimento

E António Costa diz "não ver razão nenhuma para alterar confiança" no ministro Azeredo Lopes.

Tancos: militar garante que ministro da Defesa soube do encobrimento
Imagem: Expresso

Depois das armas que foram roubada dos paióis de Tancos terem sido recuperadas, o major Vasco Brazão, investigador da Polícia Judiciária Militar (PJM), e o diretor daquela polícia, coronel Luís Vieira, deram conhecimento ao ministro da Defesa da encenação montada na Chamusca em conjunto com a GNR de Loulé em torno da recuperação das armas furtadas.

O major garantiu, esta terça-feira, ao juiz de instrução, que o ouviu durante 8 horas no Campus da Justiça, que o ministro estava a par da dita encenação.

Confrontado com a acusação, o ministro da Defesa recusou-se a comentar a informação dada por Vasco Brazão ao tribunal, invocando o segredo de justiça. Contudo, questionado sobre se foi ou não informado da operação de encobrimento na recuperação das armas de Tancos, o ministro da Defesa, em declarações ao Expresso respondeu categoricamente que “não”.

A posição do ministro no Governo está cada vez mais fragilizada e já são muitas as críticas que chegam dos mais diversos quadrantes da sociedade portuguesa.

Tancos: militar garante que ministro da Defesa soube do encobrimento

À chegada para as comemorações do 5 de Outubro, que decorrem esta sexta-feira de manhã na Praça do Município, em Lisboa, António Costa foi questionado pelos jornalistas sobre se mantinha a confiança em Azeredo Lopes, depois de notícias que dão conta que o ministro da Defesa foi informado do encobrimento de factos no caso da recuperação do material militar furtado nos paióis em Tancos, já desmentidas pelo governante.

“Quer o senhor ministro da Defesa Nacional, quer o tenente general Martins Pereira, que era então seu chefe de gabinete, já fizeram um desmentido absolutamente categórico de notícias que têm vindo a lume de factos que lhe teriam sido imputados. Não vejo nenhuma razão para alterar essa confiança”, assegurou Costa.

António Costa admitiu, contudo, que existem ainda questões por esclarecer. “Com certeza falta muita coisa esclarecer, desde logo a captura dos ladrões”, disse, acrescentando que se deve “confiar que a justiça desenvolva o seu trabalho e os ladrões propriamente ditos sejam presos”.

“É essa a função da justiça e acho que os portugueses têm boas razões para confiar no seu sistema de justiça e devemos confiar que as investigações chegam até ao fim e saibamos tudo. E, como já disse o senhor Presidente da República, um dia saberemos seguramente tudo”, rematou.

 

 

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