Últimos moradores do Aleixo queixam-se das habitações novas

Moradores criticam a Câmara do Porto pela falta de apoio nas mudanças e das novas casas serem pequenas. Sentem-se "aldrabados".

Últimos moradores do Aleixo queixam-se das habitações novas
Imagem: JN

O prazo está estabelecido e todos os moradores que ainda habitam nas três torres do Bairro do Aleixo terão de abandonar as casas até ao dia 23.

Apanhadas, como afirmam, “de surpresa”, estas últimas 11 famílias dizem não conseguir fazer a mudança, até porque os elevadores estão avariados e o senhorio, a Câmara do Porto, “não está a prestar apoio no transporte” dos bens para as novas casas.

As queixas foram esta quinta-feira ouvidas pela vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, que vai questionar o executivo liderado por Rui Moreira sobre “esta injustiça”.

Pessoas idosas a viverem sozinhas num 12.º andar, outras acamadas, sendo que os elevadores estão avariados e muita gente está a lançar os móveis pela janela, presos por cordas. Uma das moradoras, que se mudou para um 11º andar com o marido e três filhos no Bairro de Pinheiro Torres, disse ao JN: “Vou ter de ir à Câmara e entregar as chaves porque não quero estar no meio do tráfico de droga. Para isso não saía daqui”.

Últimos moradores do Aleixo queixam-se das habitações novas

No Aleixo, vive num T2 e vai para Pinheiro Torres viver num T4 mas com uma área bem menor. O marido é pescador e dorme de dia. Afirma que há barulho e que quando abre as janelas “só se vê droga. Não quero que ele vá para lá porque sei que é para andar à porrada”.

“A CDU vai propor que seja revista a posição que a câmara está a assumir para com estas pessoas. Há queixas que não existe apoio nas mudanças, da dimensão reduzida das novas casas e da necessidade de pagarem os novos contadores de água. Estas pessoas foram obrigadas a sair daqui”, salientou Ilda Figueiredo.

Recorde-se que foi em setembro de 2018 que o presidente de Câmara do Porto, Rui Moreira, anunciou a antecipação do realojamento dos moradores do bairro. A completa degradação dos edifícios e a situação de emergência social devido ao tráfico e consumo de droga motivaram a intervenção de Rui Moreira. “O Aleixo é hoje uma tragédia que acontece a céu aberto”, disse o autarca na altura.

A ambição era realojar toda a gente no espaço de 6meses, uma meta que a Câmara não conseguiu cumprir, conforme reconheceu Rui Moreira, em Assembleia Municipal. Ainda assim, o autarca prevê que em maio a situação estará resolvida e que as torres serão, finalmente, desmontadas.

 

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