Vidente de Fátima absolvido de burla a doente

Doente com esclerose múltipla disse que o "vidente de Fátima" lhe garantiu que ele não tinha essa doença. "Que tinha era uma grande maldição e que a minha filha e família iriam também sofrer". Levou-lhe 4 mil euros, mas o tribunal considerou que não havia provas de tal.

Vidente de Fátima absolvido de burla a doente
Imagem: JN

Carlos Marques, conhecido como o “Vidente de Fátima” ou “Irmão Carlos Gabriel”, foi absolvido pelo Tribunal de Ovar do crime de burla. As provas não foram suficientes para convencer o tribunal de uma possível “conduta enganosa” do arguido.

Na leitura do acórdão, a juíza considerou que “não foram provados factos essenciais que sustentavam o criem de burla”, que esteve em julgamento.

Afirmou que, para o condenar, seria necessária “uma prova segura”. Tendo em conta as próprias declarações do ofendido, a juíza disse que, “nenhuma prova foi produzida pelo crime de burla” e que, “não ficou provado que o arguido tivesse (…) uma conduta enganosa”.

Mais, “não resultou provado que, quando o arguido foi contactado pelo ofendido e após este relatar os problemas de saúde, o arguido tivesse garantido que a sua doença não passava de uma maldição, prometendo uma cura”.

Já no final da sentença, a juíza fez questão de lembrar um acórdão da Relação, de 2010, onde é dito que os acontecimentos humanos, “não resultam de espíritos e forças negras. Esses só existem nos contos de fantasia”, referiu.

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O advogado do “Vidente de Fátima”, Pedro Teixeira, afirmou-se “bastante satisfeito” pela absolvição do seu cliente. “O tribunal soube distinguir de uma forma exemplar o plano da espiritualidade, da fé que cada um pode ter, do mundo jurídico”.

Durante o julgamento o queixoso, que sofre de esclerose múltipla, explicou que recorreu aos serviços do “Vidente de Fátima”, para tentar fazer frente aos problemas de saúde que padece, mas sem sucesso.

“Ele disse-me que eu não tinha nada disso [doença]. Que tinha era uma grande maldição e que a minha filha e família iriam também sofrer”.

Disse, ainda, que depois de pagar os quatro mil euros que tinham sido acordados com o “Vidente de Fátima”, “este começou a atender-me com maus modos (…) e mais tarde nunca mais atendeu o telemóvel e nem consegui contactar com ele no consultório”, referiu.

O então arguido alegou em julgamento que nunca prometeu curar o queixoso. “O que tinha combinado era acompanhamento humano, nunca prometo milagres. Aqui não há milagres, não existem milagres”.

 

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