Visita de Marcelo põe fim a protesto de tetraplégico à porta da Assembleia

Eduardo Jorge esteve durante 2 dias sem comer, em frente à Assembleia da República, numa gaiola. Só sairia dali se o Presidente da República ou primeiro-ministro aparecessem. Apenas Marcelo apareceu.

Visita de Marcelo põe fim a protesto de tetraplégico à porta da Assembleia
Imagem: JN

Eduardo Jorge, 56 anos, tetraplégico, esteve deitado numa cama dentro de uma gaiola de ferro à frente da Assembleia da República durante dois dias. Protestava contra o atraso no arranque dos prometidos Centros de Apoio à Vida Independente (CAVI) e o modelo adotado, sendo a terceira vez que se envolve em lutas pelas pessoas com deficiência.

Um acidente de carro, em 1991, roubou-lhe a mobilidade e, 27 anos depois, recusa-se a cruzar os braços e exige o direito a um assistente pessoal “que será, no fundo, os nossos braços e as nossas mãos”.

Quando iniciou a vigília à porta da “casa da Democracia”, Eduardo Jorge disse que só sairia dali se o Presidente da República ou o primeiro-ministro aparecessem para conversar com ele – “para que no terreno verificassem as dificuldades que nós enfrentamos e o trabalho que damos”.

António Costa não respondeu ao desafio, mas Marcelo apareceu. Veio acompanhado somente da secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes. Conversou longamente com Eduardo e o ativista abandonaria a gaiola e local pouco depois, terminando assim o protesto.

Visita de Marcelo põe fim a protesto de tetraplégico à porta da Assembleia

Disse ao Presidente que queria regressar a casa, onde se “sente bem”, mas para isso era preciso que o Governo avançasse com o projeto Vida Independente.

“É uma violência psicológica muito grande. Eu não gosto desta exposição. Detesto esta humilhação, tipo um animal de circo. É horrível”, garantiu.

Não é a primeira vez que Eduardo Jorge protesta. Em 2013 fez uma greve de fome em frente ao Parlamento. Há cinco anos a luta era mesma. No ano seguinte, 2014, percorreu 180 quilómetros, de Abrantes a Lisboa, na sua cadeira de rodas.

“Antes de me virar para estas formas de protesto radicais, eu já fiz tudo. Já reuni com os grupos parlamentares, já contactei os canais normais. Só que como não há resultados eu opto pela única ferramenta que tenho: o meu corpo e a minha exposição”, esclareceu.

 

 

Comente esta notícia