Leiria: viveu com o pai morto em casa para receber pensão de 1167 euros

A mulher vai começar no dia 19 de setembro a ser julgada no Tribunal de Leiria, acusada pelos crimes de profanação do cadáver do pai, burla tributária e burla informática.

Leiria: viveu com o pai morto em casa para receber pensão de 1167 euros
Imagem: JN

O inquérito teve origem numa participação da PSP, dando conta que no interior da residência da vítima, nas Caldas da Rainha, foi encontrado o corpo de um homem de 87 anos, em avançado estado de decomposição – refere o despacho de acusação do Ministério Público, a que a agência Lusa teve acesso.

A denúncia partiu da neta do falecido, sobrinha da arguida, que, “após ter conhecimento de que o veículo do seu avô estava estacionado no parque de estacionamento, há bastante tempo, com sinais de abandono e sem pagamentos em dia, contactou a PSP das Caldas da Rainha”.

Após a investigação, o MP refere que “não foram encontrados sinais de arrombamento, a porta da entrada estava trancada, o corpo foi encontrado deitado no chão da cozinha coberto por pó de cor castanha e a porta da cozinha estava fechada à chave pelo lado do corredor, com a chave na porta”.

“Não foram observados indícios da intervenção de terceiros”. Sem provas de que possa ter ocorrido um crime de homicídio, o MP arquivou o inquérito “nesta parte”.

No entanto, o MP acusou a filha da vítima do crime de profanação de cadáver, uma vez que terá vivido com o pai morto em casa, pelo menos, seis meses.

viveu com o pai morto para receber pensao de 1167 euros

Segundo o despacho, antes de dezembro de 2015, a arguida foi residir com o pai, que era beneficiário de uma pensão de aposentação no valor mensal de 1.167,20 euros.

Entre finais de dezembro de 2014 e início de janeiro de 2015, o homem morreu no interior da residência e a filha “não informou os familiares da sua morte, como podia e devia”, nem “participou, a morte às autoridades públicas competentes”.

Após a morte do pai, “em data não apurada”, a arguida cobriu o corpo da vítima “com café e chocolate em pó” e continuou a viver na referida residência, onde se encontrava o corpo sem vida do pai, até pelo menos janeiro de 2016, sem nunca dar conhecimento da morte deste.

A pensão do pai continuou a ser depositada na conta deste, tendo a arguida utilizado esse dinheiro para fazer compras.

Segundo o MP, a acusada sofre de Psicose Esquizofrénica Paranóide Crónica, “caracterizando-se por apresentar um pensamento totalmente centrado numa temática paranóide confusa e abrangente, agravada pela presença de alucinações auditivas e com total ausência de crítica para a sua situação clínica e para a necessidade de tratamento”, que havia recusado.

A arguida é “perigosa, estando demonstrado tal perigosidade pelo risco elevado no cometimento de factos semelhantes aos dos autos, considerando a patologia que padece e, pela dependência da mesma do cumprimento de medidas terapêuticas adequadas que não são aplicadas de ‘motu’ próprio pela mesma”, pelo que lhe foi aplicada a medida de “segurança de internamento por força”.

 

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